Individualismo meritocrático, diferenciação cultural e racismo**

Jorge Vala, Marcus Lima
2002 Análise Social   unpublished
A globalização das economias e os novos fluxos migratórios têm tornado crescente o contacto com «outros» percebidos como culturalmente diferentes, podendo dizer-se que, na Europa de hoje, a diversidade cultural e a unidade das sociedades tornaram-se um dos grandes desafios à democracia (Touraine, 1998). Este problema tem dimensões jurídicas, políticas e éticas, mas envolve também crenças, representações e atitudes. A questão que a este último nível se coloca é a de saber como reagem as pessoas
more » ... reagem as pessoas à experiência da diferença cultural, como incorporam a diferença na experiência de vida pessoal e como a representam nas relações interpessoais e intergrupais. Por exemplo, num estudo realizado junto de uma amostra representativa da população holandesa, van Oudenhoven, Prins e Buunk (1998) verificam que os inquiridos avaliam mais positivamente os imigrantes surinames e turcos que abandonam a sua cultura e se mostram assimilados pela cultura holandesa do que aqueles que preservam a sua cultura. Estes resultados são coerentes com algumas explica-ções populares para a xenofobia e o racismo. De acordo com estas explicações, seria o medo da diferença que explicaria a discriminação racial ou étnica. Mas como entender então que, de acordo com o Eurobarómetro de 1997, seja maior o número de europeus que declaram que as minorias culturais devem conservar as suas diferenças (apenas com excepção daquelas que não estão de acordo com as leis dos países de acolhimento) do que aqueles que defendem que as minorias devem abandonar a sua própria cultura? Como explicar esta aceitação da diferença cultural?
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