O poder vai dançar de Tim Robbins: história, avanços e limites [thesis]

Neyde Figueira Branco
Agradecimentos Ao Professor Dr. Marcos César de Paula Soares pela confiança em meu trabalho, pela orientação presente e o auxílio em vários momentos, por todos os filmes e livros emprestados e pelas inúmeras oportunidades de trocas de idéias, de reflexão e de apresentação e discussão de meu trabalho. Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela bolsa concedida durante parte do mestrado, que possibilitou maior dedicação à pesquisa. Aos funcionários do
more » ... rios do Departamento de Letras Modernas, em especial à Edite, pela ajuda constante e por toda a assistência prestada durante esses anos. Ao professor Dr. Sergio de Carvalho, pela leitura e discussão de minha pesquisa na minha qualificação, além das dicas valiosas para meu entendimento de Brecht e para o andamento do meu trabalho. Ao professor Dr. Daniel Puglia, pela leitura atenta e discussão de minha pesquisa na minha qualificação, assim como pelas palavras de incentivo e preciosas sugestões para a continuidade de meu trabalho. Ao grupo de estudos de Literatura e Cinema, por todas as discussões, críticas e conselhos dados em nossos encontros. Pelas oportunidades de aprendizado com o trabalho dos colegas e de debates sobre textos, filmes, peças e tudo mais. A todos os companheiros do Coletivo Agir, por compartilharem ideais e objetivos, pela união para tentar aproximar teoria e prática. À Patrulha da Ajuda (Cris, Elder, Elton, Maira e Roberta), pela ajuda imensurável no desenvolvimento de meu trabalho, por cada frase lida e discutida, por cada sugestão, crítica e questionamento. Pela oportunidade de aprender mais e mais ao ler os seus trabalhos. Pela amizade verdadeira que se torna cada dia mais forte, por todas as vezes que nossos encontros provaram que seis cabeças pensam melhor que uma, por tornarem a vivência acadêmica algo tão gostoso, divertido e nada solitário. A meus queridos familiares e amigos, por todo carinho, torcida e por compreenderem minhas tantas ausências. Em especial a meu avô e padrinho, Luiz Dantas Cruz. À minha irmã, por sua amizade, pelas conversas, por se esforçar para entender minhas escolhas e estar sempre ao meu lado. Ao meu pai, por seu exemplo de trabalho árduo e perseverança. Por me ensinar a ser forte e me dedicar para realizar tudo que eu idealizar. Ao Fabio, pela constante compreensão, apoio e incentivo. Pelo carinho e companheirismo sem tamanho, que fizeram essa caminhada se tornar muito mais leve e mais fácil. À minha mãe, por simplesmente tudo. Por despertar em mim a paixão pelos estudos desde sempre, pelo incentivo, apoio e amizade e, principalmente por acreditar em mim ao longo de toda minha vida, mesmo que algumas vezes nem eu mesma tenha acreditado. 8 Mas a questão é: nosso desemprego Não será solucionado Enquanto os senhores não Ficarem desempregados! (poema Esse Desemprego! de Bertolt Brecht) Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar. (poema Nada é impossível de mudar, de Bertolt Brecht) 9 Resumo Esta pesquisa se utiliza do filme O poder vai dançar (Cradle will rock, 1999), dirigido por Tim Robbins, para entender a História, os avanços e limites de dois momentos históricos: a década de 1930 e a de 1990 nos Estados Unidos. Definido como uma história "predominantemente verdadeira", o filme apresenta personagens e fatos reais e fictícios, que se alternam e se relacionam. Ele é composto por uma série de narrativas, aparentemente fragmentadas e desconexas, mas cujas relações são construídas em todo o seu decorrer. De modo geral, podemos dizer que o filme retrata a década de 1930, momento de potencial revolucionário na História dos Estados Unidos, uma vez que a crise econômica potencializou e tornou visíveis os problemas decorrentes do sistema capitalista. Em seu intento, o diretor se aproxima da concepção benjaminiana de História, à medida que, mais do que simplesmente reproduzir a narrativa desse período, opta por se apropriar de um momento explosivo do passado, carregado de elementos em comum com o presente, e utilizar a citação do passado como fonte de inspiração no combate presente. Ou seja, parte desse passado para na verdade dizer algo sobre a realidade em que está inserido, da década de 1990. Assim, ao pensar sobre esses contextos históricos, nos possibilita refletir sobre suas características, motivações e conseqüências. Para tanto, Tim Robbins se utiliza de elementos do teatro épico, e não apenas retrata os elementos históricos do período, mas busca principalmente provocar uma reflexão por parte da audiência. E tal reflexão vai além do entendimento da história, avança sobre questões como o reconhecimento pelo artista de sua condição de proletário da cultura e sobre o limite que se coloca entre fazer arte paga por empresas e a prostituição, entre outras. Abstract This research makes use of the movie Cradle will rock (1999), directed by Tim Robbins, to understand the History, progresses and limits of two historical periods: the decades of 1930 and 1990 in the United States. Defined as a "(mostly) true story", the movie presents real and fictional characters and facts, which are alternated and connected to each other. It has a series of narratives, aparently fragmented. However, its connections are built in the course of the movie. In general, we can say that the film portrays the decade of 1930, moment of revolutionary potential in the History of the United States, as a result of the economical crisis, that made visible all the problems deriving from the capitalistic system. In his intent, the director approaches the conception Benjamin has of the History, as he chooses to go beyond than only narrate the facts of the period and decides to appropriate of such an explosive moment of the past, replete of elements in common with the present, and use the citation of the past as a source of inspiration in the current battle. That is, uses the past in order to say something about the reality he experiences in the decade of 1990. In this manner, we can consider these historical periods and reflect on its characteristics, motivations and consequences. In order to do that, Tim Robbins makes use of elements of the epic theater, and not only depicts the historical elements of the period but also tries to provoke the audience and make them reflect about the facts and elements he exposes. These reflections surpass the understanding of the History and reaches questions such as the recognition of the artist of his condition of proletarian of the culture and the limit between making art sponsored by companies and the prostitution of the artist, among other.
doi:10.11606/d.8.2011.tde-30092011-160430 fatcat:xv4bpjkpp5gg3athbfgswa6qyi