Mais um ministério de farda: coronavírus e militarismo, a dupla carga epidêmica sobre a Saúde

Leandro A. Pires Gonçalves
2020 Physis  
Alguns eventos históricos causam sensação de perplexidade em quem revisita seus registros ou lê seus narradores e analistas. O fenômeno nazista é, talvez, aquele que foi mais bem registrado, analisado e o que produziu maior enfrentamento ético e político no seu pós. Outro exemplo menos consensual foi o fenômeno colonizador das "Américas", "Áfricas" e "orientes", que não teve o mesmo tratamento e está aí até hoje produzindo perplexidades para alguns e comemorações para outros. Nos dois fenômenos
more » ... Nos dois fenômenos mencionados, milhões de pessoas foram mortas de maneira organizada por grupos que tinham o racismo e a acumulação capitalista como princípios éticos e políticos. Perguntamo-nos: como as pessoas que não estavam envolvidas diretamente no operar nazista e no colonial permitiram e foram capazes de viver em meio a tamanha atrocidade? O presente nos permite enfrentar essa pergunta, ainda que, antes que respostas concretas, nos provoque outras questões. No Brasil, há pelo menos seis meses, um presidente e seus asseclas boicotam sistematicamente a resposta que o próprio Estado que ele lidera faz da epidemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2). Desde junho de 2020, vemos o Brasil com número de novos casos e mortes em patamares altos e constantes, disputando com os Estados Unidos (EUA) a liderança nos balanços
doi:10.1590/s0103-73312020300401 fatcat:vuiatgilwjbvzes5lzaxepnxrq