POÉTICA TRÁGICA: RUPTURA NO AGON HARMÔNICO DO COSMOS OU O TEMPO FORA DO EIXO [thesis]

CRISTINA MARIA FLORES RIBAS
A meus pais, pela base, ponto de apoio, trampolim, de onde eu pude saltar... A Maura Iglesias, porque esse salto não pode ser um salto qualquer, no escuro, temerário... eu agradeço pela confiança e pela liberdade a mim concedidas. Mas agradeço sobretudo pela presença no que é mais essencial nesse jogo: a troca, a interlocução. A Caio Moura por ser meu melhor parceiro em tudo. Agradeço à vida pelo nosso encontro. A Inês Anachoreta pela oportunidade de exercitar verdadeiramente aquilo que Platão
more » ... hamou, na Carta VII, de "colóquios amistosos", e ainda, pela proximidade e pelo compartilhar do encantamento e dos assombros. A Danilo Marcondes pelas preciosas aulas e pelo cuidadoso estudo que desenvolve e compartilha generosamente com os alunos. Se não fosse esse estímulo, talvez eu não tivesse conseguido superar o receio de me aventurar pelos primórdios da era moderna, o que certamente contribuiu para tornar minha tese bem mais interessante. A Ana Flaksman, pela generosidade e perspicácia de uma leitura à qual nada escapa. A Irley Franco por ter sido meu "primeiro motor", não imóvel, no exercício do pensar e no salto para a prática de lecionar, de longe, o que mais me permitiu crescer. A James Arêas por ter me soprado, há tanto tempo, esse segredo valioso: que a verdadeira relação da tragédia com o mundo pré-socrático apontava para Anaximandro. PUC-Rio -Certificação Digital Nº 0812788/CA A Antônio Queirós pela disponibilidade inextinguível, mas, sobretudo, pela afinidade da alegria no exercício diário do nosso trabalho. A Renato Marques por compartilhar do mesmo espírito de síntese: rigor é mesmo tudo! A Remo Mannarino, grande companheiro neste percurso, porque foi em uma de nossas conversas que atentei para maiores possibilidades de investigação da cosmologia em Shakespeare. A Rômulo Siqueira pelas conversas na mesa do bar, trocas preciosas de referências, pelo amor comum à filosofia, justamente na simplicidade que isso constitui. A Antônio Maia pela nossa amizade, de tantos anos, que me fez descobrir que amigo é não apenas quem gosta de você, mas quem é capaz de guardar suas memórias muitas vezes melhor do que você mesmo. E ainda, por me apresentar alguns dos interlocutores definitivos para esta tese. A Flavia Eyler e Paloma Brito pelas discussões preciosas, pelo olhar invulgar sobre o trágico e pelas referências valiosas que recolhi na esperança de continuidade nas pesquisas futuras. A Sílvia Cunha, pelo privilégio de estudar junto de quem tem ampla disponibilidade, generosidade e abertura para a troca. Aos meus amigos Flavio Rocha, Amy Hetch e Claudia Ribas, com quem eu posso contar quando me falta refinamento no inglês. A Edna Sampaio, meu agradecimento especial, pelo cuidado e presteza, sempre, e a todo o Departamento de Filosofia pelo amplo suporte. A todos os meus alunos da Especialização em Arte e Filosofia, com os quais venho dialogando desde 2004, porque muita coisa boa advém do amplo tecido de pensamento que a sala de aula permite estender. PUC-Rio -Certificação Digital Nº 0812788/CA Resumo Ribas, Cristina Maria Flores; Iglésias, Maura (orientadora). Poética trágica: ruptura no agon harmônico do cosmos ou o tempo fora do eixo. Rio de Janeiro, 2012. 270 p. Tese de Doutorado -Departamento de Filosofia, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. A presente tese de doutorado tem como tema a tragédia grega da antiguidade clássica, pensada em seu contraste com a tragédia do Renascimento ou primórdios da era moderna. Focado nas obras Édipo Rei, de Sófocles, e Hamlet, Príncipe da Dinamarca, de William Shakespeare, este estudo pretende tratá-las, respectivamente, no contexto histórico e filosófico em que emergem: a tragédia antiga, nos tempos pré-socráticos, marcados pela consolidação do processo democrático da polis grega e a tragédia moderna, em tempos de ascensão da revolução científica e ruptura com a cosmologia aristotélico-ptolomaica tradicional, por meio do pensamento de Giordano Bruno, Copérnico e Galileu, dentre outros, e também pela retomada, por Montaigne, da antiga tradição cética, pela afirmação da autonomia da consciência, bem como pela irrupção da "subjetividade"; traços característicos da entrada do mundo na era moderna, e que marcam as principais linhas diferenciais entre ambas as formas da tragédia. Em sua estreita relação com a noção grega de cosmos, a poética trágica desponta como a afirmação de que a tragédia ocorre justamente quando algo nessa ordem se rompe. A tragédia poderia ser pensada, portanto, na medida em que se conserva a arcaica imagem do mundo assentado sobre um eixo, como uma poética da desarticulação da ordem do mundo ou a poética do cosmos fora do eixo. Abstract Ribas, Cristina Maria Flores; Iglésias, Maura (Advisor). Tragic poetics: rupture on the harmonic agon of the cosmos or the time out of joint. Rio de Janeiro, 2012. 270p. Doctoral Thesis -Departamento de Filosofia, Universidade Católica do Rio de Janeiro. The present thesis has as its subject the ancient Attic Greek tragedy, contrasted with the tragedy of Renaissance and early modern age. Focused on Sophocles' King Oedipus and William Shakespeare's Hamlet, Prince of Denmark, this study intends to treat them, respectively, in the historical and philosophical context they emerge: the ancient tragedy, in presocratic times, marked by the consolidation of the democratic process of the greek polis, the modern tragedy, in the rise of the scientific revolution and the rupture in the traditional aristotelianptolemaic cosmology, by the thought of Giordano Bruno, Copernicus and Galileo, among others, but also by Montaigne's recover of the ancient skeptical tradition, the statement of the autonomy of individual conscience, as well as the irruption of the "subjectivity", all of them, fundamental traces of the beginning of modernity and the principal dividing lines between ancient and modern forms of tragedy. In its very close relation with the original presocratic notion of cosmos, tragic poetics dawns as a statement that tragedy occurs precisely when something fundamental to this order is ruptured. Tragedy could be thought, therefore, keeping before us the archaic image of the universe turning upon an axis, as a poetics of the disarticulation of the world order or the poetics of the cosmos "out of joint".
doi:10.17771/pucrio.acad.21104 fatcat:yghdhlzgcrh6vnmzv4oms7b2bi