A iniciação científica: muitas vantagens e poucos riscos

FLAVIO FAVA-DE-MORAES, MARCELO FAVA
2000 São Paulo em Perspectiva  
A INICIAÇÃO CIENTÍFICA muitas vantagens e poucos riscos * não temos esta verdade tão explícita e visível? Simplesmente porque, se na qualidade possuímos pessoas com esses méritos, na quantidade os números são medíocres. Representamos ainda um número insuficiente para que o Brasil possa ser incluído no rol de países da vanguarda técnico-científica. Portanto, como resolver essa incógnita da equação sobre o capital humano? Onde está a real dificuldade? O problema é que temos 170 milhões de
more » ... milhões de habitantes e apenas 1,2% de estudantes no curso superior. Destes 2 milhões de estudantes no curso superior, um terço está em universidades públicas gratuitas, enquanto os outros dois terços encontram-se em universidades privadas e pagas, sendo que a qualidade institucional ainda predomina nas públicas. Embora se observem raras decisões estratégicas e de vontade política de instituições privadas no sentido de desenvolverem pesquisa, ainda há uma diferença enorme nesta atividade a favor das instituições fomentadas pelo poder público. Este dado é importante, pois a qualidade docente e a do ensino são diretamente vinculadas à geração e ao domínio do conhecimento e não apenas à sua transmissão. Se temos então apenas um terço dos estudantes nas instituições públicas e dois terços nas particulares, o número fica assustador quando você faz a seguinte questão: dos 170 milhões de pessoas no país, havendo 2 milhões estudando no curso de graduação superior, quantas pas- FLAVIO FAVA-DE-MORAES Professor do Conferência Mundial sobre Ensino Superior realizada pela Unesco em Paris, em 1998, e que teve a co-participação da Associação Internacional de Universidades conseguiu agregar mais de 3.000 pessoas. Uma das conclusões desta conferência pode ser resumida numa frase: "Não há condições de uma Nação querer ser moderna com desenvolvimento social e econômico se não tiver base científica e tecnológica". Depois de uma semana de discussão, esta resultante, embora possa parecer simples, é relevante, pois agora não se trata mais de um período em que os grandes vencem os pequenos, os rápidos vencem os lentos, nem mesmo em que os ricos vençam os pobres, mas sim os que sabem vencem os que não sabem. É por isso que nos meios de comunicação observamse, sistematicamente, expressões como sociedade da informação, época da informática, domínio da informação, o que indica que quem dominar o conhecimento é que terá cada vez mais sucesso, como já vem acontecendo desde a 2 a Guerra Mundial. Como é que o Brasil conseguirá êxito se, para termos desenvolvimento social e econômico, precisamos possuir base científica e tecnológica? Como estamos no Brasil? E como nos enquadramos internacionalmente? Sem dúvida, temos pessoas qualificadas em todos os ramos de conhecimento, suficientes para transitar internacionalmente sem nos causar nenhum constrangimento, dialogando em condições de igualdade profissional. Então, por que Resumo: O artigo demonstra a importância do programa de iniciação científica para o estudante do curso superior, enfatizando o papel complementar de melhoria da sua análise crítica, maturidade intelectual, compreensão da ciência e possibilidades futuras tanto acadêmicas como profissionais. Descreve as vantagens, mas também enumera alguns aspectos vulneráveis que refletem riscos a serem evitados. É ainda destacada a necessidade de formação de gente capacitada na área tecno-científica como premissa para o nosso desenvolvimento social e econômico. Palavras-chave: ensino e aprendizagem; universidade no Brasil; capacitação científica.
doi:10.1590/s0102-88392000000100008 fatcat:xoivipmubjbpxbsntp7eki7zri