O monstro-barão, a bela-adormecida e a rosa mística

António José Saraiva E Óscar, História Lopes, Da Literatura, Portuguesa
1996 Dicionário Cronológico de Autores Potugueses   unpublished
Introdução O facto de um dos nossos maiores escritores presencistas, Branquinho da Fonseca (1905-1974), ter publicado O Barão (1942), com a assinatura de um tal António Madeira, parece indiciar uma certa precaução que, se se deveu a algum receio relacionado com o julgamento da posteridade, o tempo viria a comprovar ser injustificado. Anthero Monteiro Mestrando Universidade de Aveiro Palavras-chave: Branquinho da Fonseca, O Barão, conto, misticismo, grotesco. Resumo: Procede-se neste texto a uma
more » ... leitura do conto O Barão (1942), de Branquinho da Fonseca, numa perspectiva mística: a resultante das múltiplas tensões que o atravessam obedece nitidamente a um apelo ao que há de mais grotesco e animal no Homem para que ascenda à beleza do Bem ou ao bem da Beleza. Abstract: In this paper we suggest a mystical reading of Branquinho da Fonseca's short story, O Barão, attempting to underline the various tensions intersecting it. The author succeeds in disclosing man's grotesque and animal nature, so that he can be uplifted to the beauty of goodness or to the goodness of beauty. De facto, O Barão não apenas seria considerada a sua «obra-prima» 1 como também um dos seus «contos que denunciam um nível de maturidade que atinge a perfeição» 2. Volvidos mais de sessenta anos e após ter merecido inúmeras reedições, traduções e trabalhos críticos e analíticos, não foi ainda posta na prateleira, continuando a merecer a atenção dos leitores e dos estudiosos, um pouco por todo o Mundo. O sucesso desta obra parece advir de uma concertação de factores, entre os quais se poderá contar a sua polissemia, que terá originado as mais diversificadas teses 3 , a sua extraor-dinária densidade dramática 4 e o ambiente estranho, labiríntico, enigmático, quase fantasma-1 Cf.
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