O público e o privado-Nº 18-Julho/Dezembro-2011 185

Ricardo, Ricardo Moura
unpublished
A violência talvez seja um dos conceitos mais plurais e polêmicos existentes na teoria social. Tentar definí-la sem gerar qualquer controvérsia é tarefa impossível. Isso não significa dizer que não se deva problematizá-la ou mesmo torná-la objeto de reflexão. Tendo isso em mente, chama atenção saber o que um dos principais filósofos políticos da atualidade, o psicanalista esloveno Slavoj Žižek, conhecido por sua peculiar forma de argumentação e por suas ideias que vão de encontro ao consenso
more » ... ntro ao consenso estabelecido, tem a dizer sobre o assunto. Slavoj Žižek-assim como Alain Badiou, Judith Butler, Antonio Negri e Giorgio Agamben-é representante de uma leva de pensadores contemporâneos que renovaram o pensamento de esquerda e que se valem das mais diversas formas de conhecimento (psicanálise, teoria da literatura, arte, filosofia, marxismo) para realizar a crítica da sociedade capitalista. Por causa de um texto seu sobre o filme Matrix, Žižek recebeu a pecha de filósofo pop. A leitura atenta de seus textos, no entanto, revelam que as referências feitas a filmes, propagandas e anedotas funcionam como um elemento a mais de sua argumentação, mas sem que isso esvazie sua argumentação teórica. Para aqueles que preferem um autor mais sistemático, Slavoj Žižek deixa a desejar. Sua obra é marcadamente fragmentária e provocativa. Violência apresenta uma variedade impressionante de provocações, paradoxos e conceitos que, por vezes, poderiam ser trabalhados de forma mais abrangente. Essa característica, mais que um suposto desleixo do autor, é um convite à realização de um confronto entre a teoria e as práticas de uma determinada realidade social. Desse ponto de vista, as inquietações de Žižek podem ser um ŽIŽEK, Slavoj. Violência-Seis Notas à Margem. Lisboa
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