Macau um sonho oriental

Carlos Alberto Moniz, José Jorge Letria
2020
SONHANDO... Há muito, no horizonte longínquo da história, decorria o ano de 1513 quando Jorge Álvares pela primeira vez pisou solo macaense. Longe estava o navegador de imaginar as voltas e reviravoltas que o minúsculo território viria a dar até ao fim do milénio, data próxima em que lhe foi marcado como destino a reintegração no vasto Império do Meio que, pacientemente, sempre o desejou. Território de territórios, cultura de culturas, povo de povos, quotidiano de quotidianos, sortilégio de
more » ... , sortilégio de sortilégios, alegoria de alegorias, Macau partiu de uma justaposição estranha de dois mundos distintos, a ocidente e a oriente, à semelhança dos braços envolventes do delta lodoso em que mergulha a sua existência física, para amadurecer, ao longo dos séculos, uma vincada personalidade própria, uma espécie de tertium genus cultural, uma síntese original fruto de alquimia histórica cerzida na permanente encruzilhada de caminhos. Em 1992, quando Aires Vicente, marinheiro português revisitado, se lança à aventura irreprimível da descoberta oriental repete -se o enigma. O marinheiro obedece tão somente a um verdadeiro impulso de alma, ao chamamento luso para sulcar o desconhecido, apelo que não conhece calculismo nem descanso. Vicente como anteriormente Álvares, parte sem cuidar de prever minimamente o seu itinerário, o que o espera. A história repete -se. São círculos concêntricos en que se sucedem encontros fantásticos, diálogos impossíveis, cumplicidades surpreenden-* A primeira edição deste CD, em 1993, teve o patrocínio do IPOR -Instituto Português do Oriente
doi:10.34632/povoseculturas.2013.8932 fatcat:djq3j4txk5djzalea2alhmkvp4