A INSISTÊNCIA DO SIGNIFICANTE EM SATOLEP, DE VITOR RAMIL

Aroldo Garcia Dos Anjos
2021 Macabéa  
The present work is linked to investigations of a historical anthropology of language and presents an interpretation of the work Satolep, by Vitor Ramil, in order to think the time in its enunciative dimension. To this end, a theoretical approach between Walter Benjamin and Émile Benveniste, as proposed by Giorgio Agamben, is taken as basis. Here, this approach is deepened from the point of view of time. This discussion aims to observe the constitutive time in Satolep, which is the foundation
more » ... is the foundation of a subjectivity in the process of actualization and singularization of human experience. Finally, it is observed how the portraitist protagonist Selbor inscribes himself in what he describes in his displacements. Resumo O presente trabalho filia-se às investigações acerca de uma antropologia histórica da linguagem e apresenta uma leitura sobre a obra Satolep, de Vitor Ramil, de modo a realizar uma reflexão sobre o tempo que leve em conta a sua dimensão enunciativa. Para tanto, parte de uma aproximação teórica entre Walter Benjamin e Émile Benveniste, proposta por Giorgio Agamben. Tal aproximação é aprofundada, aqui, pelo viés do tempo. Objetiva-se, com essa discussão, observar, em Satolep, o tempo constituidor, fundante de uma subjetividade no processo de atualização e de singularização da experiência humana. Observa-se como, em última instância, o protagonista retratista Selbor se inscreve no que descreve em seus deslocamentos. Página | 120 Macabéa -Revista Eletrônica do Netlli | V.10., N.3., ABR.-JUN. 2021, p. 119-133. Entradas para indexação KEYWORDS: Language. Subjectivity. Time. Signifier. Satolep. PALAVRAS-CHAVE: Linguagem. Subjetividade. Tempo. Significante. Satolep. Texto integral CONSIDERAÇÕES INICIAIS O presente trabalho visa a apresentar uma leitura 1 sobre a obra Satolep, de Vitor Ramil, de modo a realizar uma reflexão sobre o tempo que leve em conta a sua dimensão enunciativa. O trabalho situa-se em um entre-lugar teórico, uma vez que parte de discussões de linguagem caras tanto à literatura quanto à linguística. Para tanto, parte de uma aproximação teórica entre Walter Benjamin e Émile Benveniste, proposta por Giorgio Agamben em Infância e história: ensaio sobre a destruição da experiência, de 1979. No ensaio em questão, Agamben discute o lugar ao qual foi relegada a experiência humana na tradição ocidental, assim como a concepção de linguagem que lhe subjaz. Com Benjamin, Benveniste e Saussure, Agamben (2008, p. 58) conclui que a experiência já é sempre "palavra", o que implica a consideração de que não há sujeito a priori, uma vez que este é constituído na linguagem e pela linguagem. Segundo a leitura de Agamben, o sujeito torna-se sujeito ao entrar na linguagem. Para Benveniste, não há humano fora da linguagem, pois ela está na natureza do homem, que não a criou. É na enunciação, na e pela linguagem, que o homem entra na história. A radical transformação da língua, ao constitui-la como discurso, é uma condição do homem. O humano é história, é essa passagem da língua ao discurso, é devir (AGAMBEN, 2008, p. 67-68). Sua concepção de linguagem volta-se, com isso, ao que é da ordem da singularidade. Tal aproximação é aprofundada, no trabalho em questão, pelo viés do tempo. Objetiva-se, com essa discussão, observar, em Satolep, o tempo constituidor, fundante de uma subjetividade no processo de atualização e de singularização da experiência humana. A análise é feita, pois, a partir de discussões levantadas por Giorgio Agamben, Walter Benjamin e Émile Benveniste. Gérard Dessons e Henri Meschonnic também são convocados à discussão, enquanto teóricos e leitores da obra de Benveniste. Com base na consideração da atualização 2 , observamos que, desde seu título e sua apresentação visual, Satolep parece instigar a pensar o espaço, mas que, porém, isso lentamente se transmuta em um retorno no tempo, que, tomado em sua
doi:10.47295/mren.v10i3.3156 fatcat:mhg3wjjfgzcv7dvsoo4a7n77mu