O segredo de combinar continuidade e mudança

Entrevista Com, Sebastião Velasco E Cruz
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Velasco e Cruz tem se dedicado à reflexão sobre os dilemas de países em desenvolvimento diante das reformas eco-nômicas mundiais de corte liberal-posto privilegiado para observar o Brasil e seu lugar no sistema internacional a partir da conjuntura ense-jada pelos resultados eleitorais de 2010. Aqui, Velasco lança hipóteses perspicazes sobre as perspectivas brasileiras diante dos bloqueios exter-nos e de imperativos internos como integração de políticas governamen-tais, políticas de inovação e
more » ... frentamento das desigualdades sociais. Conjecturas tão lúcidas quanto provocantes. Revista Faac: Descontadas as estocadas de to-dos os lados nas disputas políticas e eleitorais, o que há efetivamente de continuidade e de ruptura na política macroeconômica e nas políticas de desen-volvimento da "Era Lula" em relação à "Era FHC"? Sebastião Velasco e Cruz: Acho que não dá para falar, em bloco, de duas eras, pelas descontinuidades que marcaram ambos os governos. Em relação ao período FHC, o divisor de águas foi a crise financeira no fim de 1998, que provocou uma intervenção direta no Banco Central e teve como resultado a mudança de seu coman-do, uma forte depreciação do real e a adoção combinada dos regimes de câmbio flutuante e de metas inflacio-nárias. No que diz respeito ao governo Lula, a infle-xão se deu a partir da demissão do Palocci [Ministro da Fazenda Antônio Palocci] e ganhou contornos mais nítidos depois da eleição de 2006, quando a tônica de-senvolvimentista se tornou dominante. Isto posto-e não obstante a continuidade nas áreas monetária e cambial-, as diferenças na política econômica dos dois governos são notáveis. Basta pensar na orientação dada macroeconômicas das políticas de transferência de renda, e, sobretudo, na política de recomposição do valor do salário mínimo.
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