Da relação médico-paciente: aspectos semióticos de paixão e persuasão [thesis]

Vítor França Galvão
3 VITOR FRANÇA GALVÃO DA RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE: ASPECTOS SEMIÓTICOS DE PAIXÃO E PERSUASÃO. Tese defendida e aprovada em __________________ BANCA EXAMINADORA ___________________________________________________________ ___________________________________________________________ ___________________________________________________________ ___________________________________________________________ UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO 2006 4 O médico (1891) Sir Samuel Luke Fildes (1844-1927) 5 Para dona
more » ... ena, minha mãe, minha primeira professora. 6 AGRADECIMENTOS À profª. Drª. Maria Vicentina de Paula do Amaral Dick, pela orientação e indicação de todos os rumos e caminhos que tornaram esse trabalho possível. Aos Professores Doutores Eni de Mesquita Samara e José Ricardo C. Ayres, da FFLCH e FMUSP, respectivamente, cujos cursos foram importantes na elaboração desta pesquisa. Aos médicos M.A., C.N.L. e M.C.S., pela atenção e gentileza em fornecerem os casos aqui analisados. Ao Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital Heliópolis que, mais uma vez, abriu suas portas para minhas sondagens do mundo médico. Aos meus irmãos, Daniel e Rogério, por me ensinarem que, apesar das diferenças, pode haver respeito, amor e amizade. Ao meu pai, Nilo, in memoriam. A João Claudio, in memoriam. A Cecília Meireles e Graciliano Ramos, Bette Davis e Marlon Brando, Kim Carnes e Bruce Springsteen, cuja arte torna este mundo mais bonito. Aos meus amigos que, com seu carinho, preenchem as noites e os dias -e reduzem o peso de todos os fardos. A Deus, sempre. 7 Juramento de Hipócrates "Eu juro por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão, e apenas estes. Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei, por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza perda. Do mesmo modo, não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva. Conservarei imaculada minha vida e minha arte. Não praticarei a talha 1 , mesmo em alguém que realmente tenha cálculos; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam. Em toda casa que eu vá, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução, sobretudo longe dos prazeres do amor com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados. 1 Trata-se de uma operação que consiste em cortar a bexiga a fim de extrair uma pedra, um cálculo. Alguns autores supõem que seja uma interdição à castração. Cf. SALEM, 2002. 10 sancionado positivamente pela sociedade da qual faz parte; de outro, o paciente, que freqüentemente deposita no médico mais expectativas de cura do que esse profissional pode alcançar. Serão levadas em conta, também, as teorias de J. Campbell sobre o "mito do herói", bem como a teoria dos "arquétipos" de C. Jung. Em suma, este trabalho procurou analisar, sob o ponto de vista da semiótica e da bioética, as condições em que se pode desenvolver a relação entre médico e paciente. Assim, esperamos poder contribuir, de alguma forma, para estudos posteriores que se proponham a investigar o universo da Medicina. 11 ABSTRACT This thesis intends to study some semiotics aspects of passion and persuasion in the doctor-patient relationship, a relationship marked by verticalization and complexity -on the one hand, the power of persuasion of a doctor who has the know-how; on the other hand, the fragility of someone who is ill and needs to be cured.
doi:10.11606/t.8.2006.tde-01082007-153328 fatcat:xjx2cjvmtjbabdbigewgf3o6je