o DIFÍCIL PROCESSO DE TRANSIÇÃO DA AGROPECUÁRIA GAÚCHA*

Argemiro Brum
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O presente trabalho tem por finalidade expressar a realidade da economia agropecuária gaúcha neste difícil processo de transição para os novos tempos de economia liberalizada. Nele estaremos privilegiando alguns temas centrais que en-volvem o Setor Primário do Rio Grande do Sul neste momento: a defasagem dos preços recebidos em relação aos custos de produção; a questão dos juros; o câmbio; a pressão das tarifas e dos impostos; e o cooperativismo. 1-O contraste das cifras À primeira vista, o
more » ... imeira vista, o Setor Primário gaúcho está bem A evolução do PIB agropecuário do Rio Grande do Sul tem sido bastante superior ao brasileiro nestes últimos três anos, apesar do acentuado recuo ocomdo em relação ao verificado nos anos 70 (exceção feita ao excepcional resultado de 1992, quando o PIB agropecuário gaúcho atingiu 36,1% de crescimento). Por sua vez, a produção de grãos no Rio Grande do Sul, em volume, embora reduzindo sua participação, continua acima de 20% do total nacional. Em 1993/94, o Estado gaúcho participou com 21,6% (16,027 milhões de toneladas) dos 74,161 milhões colhidos no Brasil (Tabela 2). Em contrapartida, os custos de produção das lavouras gaúchas encontram-se em níveis praticamente proibitivos, inviabilizando, em boa parte, a atividade nestes últimos anos. Em 1988/89, por exemplo, o custo de um saco de soja (sem considerar a remuneração da ten-a) atingiu US$ 14,99. Embora em recuo desde então, graças a um incremento na produtividade média da lavoura, o referido custo atingiu US$ 11,32/saco em 1993/94, devendo chegar a US$ 11,97/saco na safi-a 1994/95 (contra um preço estimado entre US$ 9,60 e US$ 10,80/saco a pennanecer a atual paridade cambial), No trigo, a situação também é crítica, pois o custo do hectare, na safra de 1993, alcançou US$ 423,36, eqüivalendo a US$ 12,82/saco. Em 1994, o custo de produção do saco de trigo baixou para US$ 12,25 (no câmbio de hoje, ou seja, R$ 0,83 = US$ 1,00), fi-ente a um preço médio de US$ 7,56/saco (com a frustração e a queda Este trabaltio contou com a colaboração do Presidente da Federação das Cooperativas de Trigo e Soja do Rio Grande do Sul Ltda (FECOTRIGO), Sr. Rui Polidoro Pinto, representando igualmente o pensamento dessa entidade. Professor da UNIJUÍ, Doutor pela EHESS de Paris, Coordenador da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA). O autor agradece aos técnicos da CEEMA e da FECOTRIGO pelo empenho na obtenção e na organização dos dados estatísticos aqui utilizados
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