Avaliação histopatológica de 72 amostras de pulmão de bovinos com pneumonia em confinamento de terminação

Matheus Ferreira Serafini et al.
2017 Revista Acadêmica  
Resumo Objetivou-se identificar as principais alterações anatomohistológicas do sistema respiratório de bovinos que vieram a óbito durante o confinamento de terminação. Acompanhou-se 16.635 animais em sistema de engorda em confinamento para terminação, localizado na região norte do estado de Minas Gerais, no período de julho de 2014 a janeiro de 2015. Todos os animais que vieram a óbito (n = 134) foram imediatamente necropsiados, realizando-se a coleta de 3 fragmentos pulmonares/por animal
more » ... res/por animal (borda do lobo cranial, borda do lobo caudal e região dorsal do lobo médio), sendo esses conservados em formol 10% tamponado para posterior análise histopatológica. Não houve interferência na adoção dos protocolos sanitários durante o experimento. Do total de animais necropsiados, 72 apresentaram alterações pulmonares sendo 45,15% Broncopneumonia (30 amostras), 21,54% Pneumonia intersticial (14 amostras), 13,85% Pneumonia bronco intersticial (9 amostras). O restante das amostras dividiu-se em menor expressão entre Pleurite Fibrinopurulenta, Pneumonia necropurulenta, Congestão pulmonar, Pleurite Fibrinosa e Pleuropneumonia. As lesões de broncopneumonia são similares àquelas causadas por M. haemolytica, P. multocida e H. somni, com grande quantidade de infiltrado inflamatório neutrofílico, degeneração celular e presença de bactérias nos sítios de lesão. A pneumonia intersticial, com grande acúmulo de material eosinofílico amorfo na luz alveolar, edema, lesão endotelial, células gigantes multinucleadas e proliferação intensa de pneumócitos tipo II com espessamento dos septos alveolares, sugere uma causa viral ou tóxica como BRSV e PI-3 ou amônia e 3-metilindolamina. Além disso, há associação entre broncopneumonia e pneumonia intersticial, sugerindo que um tipo de pneumonia pode ser predisponente para outra. As mortes ocorreram de forma aguda e rápida e, contrariando a literatura, foram mais frequentes em animais próximos ao peso de abate sem manifestação clínica da doença respiratória. Devido à dificuldade de identificação de bovinos com alterações respiratórias no rebanho e, muitas vezes, da intensidade do quadro respiratório instalado, a
doi:10.7213/academica.15.s02.2017.110 fatcat:slfx2a56dfdu7kdpyjb2f2zewi