Exuberância e invisibilidade: populações moventes e cultura em São Paulo, 1942 ao início dos anos 70 [thesis]

Elena Pajaro Peres
Dezembro de 2006 2 Wissenbach pela acolhida afetuosa. Aos professores José Guilherme Cantor Magnani e Ítalo Moriconi Júnior pela recepção gentil e interesse pelo tema do trabalho. À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo pelo imprescindível apoio financeiro, sem o qual não teria sido possível a conclusão deste trabalho. Agradeço às instituições que possibilitaram a reprodução de parte do material fotográfico utilizado nesta tese, entre elas ao Instituto Moreira Salles, em nome de
more » ... Salles, em nome de seus funcionários Cídio e Virgília, e ao Arquivo do Estado de São Paulo, setor de Arquivos Especiais-Iconográfico. Ás bibliotecas da Universidade de São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo às quais recorri constantemente. À turma do "xérox do Luis" de novo: Zezinho, Marcos, Márcia e André. Aos amigos da pós-graduação com os quais pude conviver durante esse tempo, em especial ao André Luis Rodrigues e ao Nelson Aprobato Filho, com quem dividi por dois anos o Deviração. Estudos Teórico-Metodológicos, espaço em que pudemos discutir livremente nossas inquietações. As devirações por São Paulo serão lembradas. Ao André ainda por fornecer generosamente informações importantes, discutir idéias, sugerir mudanças e, principalmente, pela amizade atenta e afetuosa. Ao Humberto Lima Pimentel, de São Paulo e de Caetité, um agradecimento especial pelas dicas, sugestões e auxílio prestado no trabalho com fotografias, pelos importantes esclarecimentos na área de cinema e pelo empréstimo de material e bibliografia. Aos amigos sempre presentes com livros, filmes, música, palavras, gestos, apoio e muitas risadas: Jane, Mi e Lígia, Ismara e Marcelo, João e Tânia, Fábio Brito, Luis Maria, Mary, Toninho, Helena e todos aqueles com quem compartilhei momentos importantes nesses quase cinco anos. Agradeço também aos meus familiares que me ensinaram a perceber o encantamento da vida, em especial meu pai, Ismael (in memorian), e minha mãe, Dulce. Ao Nelson com quem desde 1988 percorri inúmeros caminhos. quantos mais ainda estarão por percorrer...Tempo encantado, irreversível trajeto. 3 RESUMO Com esta investigação proponho o estudo da cultura por uma vertente não canônica, convergindo para o conteúdo humano, imaginativo e desejante presente na cidade de São Paulo na segunda metade do século XX. Para isso, trabalhei entre outras fontes com a obra de alguns mediadores culturais: Carolina Maria de Jesus, Plínio Marcos, João Antonio e Ozualdo Candeias, que se encontravam nas vias de comunicação entrecruzada entre a cultura formal, o espetáculo e o gesto espontâneo, inscrevendo suas impressões, de forma delicada, com um rústico alfabeto na superfície instável que era a cidade de São Paulo entre as décadas de 40 e 60, encantando com palavras, imagens, gestos e ritmos, ao mesmo tempo em que se deixavam encantar pela gestualidade, a exuberância e o transbordamento que os cercavam. Parti assim de uma concepção de cultura como criação móvel e movente, que envolve o uso experimental e tático de elementos dispensados por diferentes segmentos da sociedade e das sobras de tradições as mais diversas por parte daqueles que não tinham paradeiro, mas que buscavam um canto. O que traz em si o desvio (détournement) situacionista de Guy Debord, a caça não-autorizada (braconnage) de Michel de Certeau e a viração de João Antonio e Plínio Marcos, ou seja, a apropriação não permitida, nas fímbrias da invisibilidade, daquilo que é lançado pela sociedade e o seu uso em sentidos diferentes daqueles que foram determinados, não apenas com a intenção de sobrevivência, mas também, e foi o que aqui mais me interessou, com a possibilidade do "desperdício" da criação. Abstract This research proposes the study of culture under a non canonical view, which converges to the human, imaginative and desiring content found in the city of São Paulo during the second half of the 20th century. To that end, I researched the works of the following cultural mediators, among others: Carolina Maria de Jesus, Plínio Marcos, João Antonio, and Ozualdo Candeias, who were at the communication crossroads of formal culture, the spectacle and the spontaneous gesture, and used a rustic alphabet to write with grace their impressions on the unstable surface which was the city of São Paulo between the 1940s and 1960s. They enchanted people with their words, images, and rhythms while they became themselves enchanted by the gestures, the exuberance and the overflow of emotions around them. My starting point was therefore a concept of culture as creation on the move and movable, which involves the experimental and tactical use by drifters -looking for a haven and a song -of elements cast away by different segments of society, and leftovers of diverse traditions. This carries in itself Guy Debord's situational deviation (détournement), Michel de Certeau's poach (braconnage), and João Antonio's viração, that is, unallowed appropriation, on the fringes of invisibility, of what society throws away to be used with meanings that are different from those that were previously determined, not only for the purpose of survival, but -and this has interested me most -as a possibility of "waste" of creation.
doi:10.11606/t.8.2007.tde-16072007-104536 fatcat:afiwozeksvcxnpae3dmas2hr24