Observations on the roman occupation of the Valley of the Mira
Observações sobre a ocupação de época romana no Vale do Mira

Virgílio Hipólito Correia
2015 Conimbriga Revista de Arqueologia  
Resumo: É apresentada uma abordagem integrada dos dados disponíveis sobre a ocupação romana no vale do Rio Mira (Alentejo, Portugal), de que a escassez é interpretada, não como produto de insuficiente investigação, mas como uma situação decorrente de um percurso histórico concreto aí ocorrido; é a este propósito discutida a situação da Arandis romana, para a qual é proposta uma localização (Castro da Cola, Ourique), baseada em argumentos arqueológicos e linguísticos e toponomásticos. A
more » ... ásticos. A originalidade da ocupação romana da área e as raízes históricas da situação são discutidas desde um ponto de vista teórico e antropológico, recorrendo a conceitos do domínio da arqueologia da paisagem. Abstract: An integrated approach to available data on the Roman occupation of the Mira River Valley (Alentejo, Portugal) is presented; the scarcity thereof is interpreted as a situation arising from the concrete historical path taken, rather than the product of insufficient research. In this context the situation of the Roman town of Arandis is discussed, and its location proposed at the so-called Castro da Cola (Ourique), on the basis of archaeological arguments and the linguistics of the place-name. The originality of the Roman occupation of the area and the historical roots of the situation are discussed from a theoretical and anthropological point of view, using concepts from landscape archeology. A ocupação de época romana imperial na bacia do Mira e do Alto Sado 1 e zonas serranas adjacentes é quase inexistente. Este facto é surpreendente, paradoxal mesmo, no âmbito do Sudoeste da península Ibérica. Designadamente naqueles elementos do registo arqueológico que se associam ao desenvolvimento de uma civilização urbana como é a romana, os actuais concelhos de Odemira, Ourique e Almodôvar destacam-se, em qualquer análise, pela ausência de vestígios. Com efeito, só na zona de Garvão e Panóias (conc. Ourique) se verifica uma maior densidade de vestígios, explicável sem dúvida, tal como a concentração de sítios e achados nos arredores da Messejana (conc. Aljustrel), pelo desenvolvimento de uma zona de exploração agrícola intensiva na dependência de Vipasca, mas, para além disto, em toda a restante vasta área, são contados os sítios arqueológicos (Alarcão 1988, vol. 2, fasc., 3, fl. 7 e 8), não se conhece qualquer elemento de escultura (Sousa 1990, passim), está identificado um único local com mosaicos (Oleiro 1986: 112-113) e, no que diz respeito a um dos principais elementos associados à vida pública -a epigrafia (Susini 1968: 72-83) -contam-se apenas 6 inscrições (Encarnação 1984, nºs 120, 124, 126, 129, 139 e 1 O presente texto nasceu de uma intervenção impromptu no colóquio "Ignorância e Esquecimento" organizado pela Câmara Municipal de Odemira em 12-13 de Abril de 2013, ulteriormente reduzida a escrito, desenvolvida e preparada para uma publicação em atas que até agora não viram a luz. São devidos agradecimentos ao organizador do colóquio, Pedro Prista, e a Jorge Vilhena. Este texto beneficiou dos comentários dos revisores anónimos. Os erros subsistentes são da responsabilidade do autor. Virgílio Hipólito Correia Observações sobre a ocupação de época romana... Conimbriga, 54 (2015) 157-178
doi:10.14195/1647-8657_54_6 fatcat:jmyrhgeokrh7fggxl3tunodoje