Pierre Fatumbi Verger: um viajante perdido em pleno século XX

Lilia K. Moritz Schwarcz
1996 Revista de Antropologia  
Diz ia o poeta -Fer nando Pe sso a -qu e, "pa ra viajar , basta ex istir". E foi isso que fez Pi erre Verger , viajou o temp o todo e de muita s man eira s : como fotógrafo ou etnó gra fo , como ini c iado ou hi storia dor, como um alquimi sta moderno ou um grand e cu rio so. Francês, por aca so, Verger gostava de co m entar qu e dete stava a burgu es ia eur opéia , com a qua l era obr iga do a co nvive r, e as impo siçõe s da esco la, se mpr e di sc iplin ado ra. Ma s é com a mort e de seu pai
more » ... a mort e de seu pai , em 1932 , que a vida co meça a mudar. Verger decide que deixaria essa vida com 40 an os e que, portanto, com os dez anos que lhe re stavam viajaria pe lo mundo , acompanhado de su a amiga, uma Rolleiflex u sada. Começava, então , a peregrinação des se viajant e mod erno , que ac reditava que cada ano deveria se r vivido se m comp romissos, dinheiro ou ambição soc ial. E sco lhe prime iro o Taiti, e com sua pa ssagem de navio de 4 ª classe con hece a Poliné sia. Já como fotógrafo profissional (e uma Rolleiflex co1n 12 foto s e m vez de 6), de sco bre um mundo em preto-e-branco: os E stad os Unidos, com sua s di spa ridade s; o Japão , um país 111uito policiado; a China e sua s pai sage ns lege ndária s; Filipinas e Cingapura. E1n 1935, capta com su as lent es e sua bici c leta uma outra Europa, cheia de tradições popular es . Ne sse ano, c hega à África negra. No Sudão francês (hoje Mali) sua câmera regi stra as má sca ra s Bambara e na Nigéria as comemoraçõe s islâmicas. Em 1936, parte de bar co para as Antilhas e percorre a China: p e la T rans iberiana, atravessa a Europa, a União Soviética e chega à Coréia. De trem , de barco ou de bicicleta, o mundo era ao mesn10 tempo grand e e pe qu e no para um viajante do sécu lo XX. Mas não é só . E ntr e 1938 e 1946 a lista de paí ses só iria aum ent ar : México em 1939on de conhece 1"'rostsky -, BoJív ia, P e ru , o mund o int e iro parecia caber em sua lente , qu e guardava rostos, ex pr essões, ves ti mentas, festas, e nfim : vida.
doi:10.11606/2179-0892.ra.1996.111632 doaj:abd28236a55d4277be588e252dfb8ee7 fatcat:bpms2id6v5ewbi53yg4a3e3epq