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Nelson Sanjad
2012 Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas  
Este número do Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas encerra dois dossiês de grande relevância. O primeiro deles, "Corpos, medidas e nação", organizado por Vanderlei Sebastião de Souza e Ricardo Ventura Santos (Fundação Oswaldo Cruz), reúne cinco artigos sobre a história da antropologia física no Brasil, que destacam as conexões transnacionais, as adaptações locais e o fundo raciológico das discussões e práticas científicas de final do século XIX e início do XX. Como
more » ... am os autores, muitos dos que viveram e trabalharam naquela época, como Edgard Roquette-Pinto, José Bastos de Ávila e Álvaro Fróes da Fonseca, dialogaram com seus pares estrangeiros para demonstrar que o Brasil era uma nação viável, isto é, que a mestiçagem predominante no país poderia ser interpretada de maneira positiva, apesar dos preconceitos existentes contra populações negras, índias e mestiças. Alguns antropólogos chegaram a questionar a validade da classificação tipológica e os critérios raciais como chave explicativa dos problemas sociais brasileiros, propondo, em seu lugar, que as condições sanitárias e socioeconômicas da população eram os verdadeiros problemas a serem enfrentados. Conforme esclarecem os organizadores na introdução ao dossiê, são "evidentes as imbricações entre a prática da antropologia física e as questões sociopolíticas que mobilizavam a sociedade brasileira no início do século XX, sobretudo no que dizia respeito à organização do país, ao conhecimento de sua população e às discussões sobre a formação da nacionalidade brasileira". Na seção "Memória", o assunto volta a ser abordado no texto "O Congresso Universal de Raças, Londres, 1911: contextos, temas e debates", de Vanderlei Sebastião de Souza e Ricardo Ventura Santos, no qual são novamente analisados os temas raciais debatidos por antropólogos, sociólogos e ativistas sociais de diferentes lugares do mundo. Em um ambiente imperialista, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, os autores contextualizam o esforço pacifista dos organizadores do evento e destacam a participação dos representantes brasileiros, João Baptista de Lacerda e Edgard Roquette-Pinto, que defenderam uma visada menos preconceituosa sobre a mestiçagem e mais promissora sobre o futuro do Brasil. Na mesma seção, Antonio Porro (Universidade de São Paulo) discorre sobre um inédito relato do jesuíta português Jacinto de Carvalho (1677-1744), que viveu durante treze anos entre os índios amazônicos. Segundo Porro, essa é a principal fonte etno-histórica para a região na primeira metade do século XVIII, cujos trechos de interesse etnográfico foram aqui vertidos à língua portuguesa. O segundo dossiê publicado neste número inaugura, na verdade, uma nova seção da revista, que chamamos "Debate" e que tem como objetivo gerar, como o próprio nome indica, controvérsia sobre temas polêmicos e atuais. Nesta experiência piloto, organizada por mim e Ima Vieira (Museu Paraense Emílio Goeldi), optamos por abordar um tema que articula governo, movimentos sociais, cientistas e ambientalistas no mais importante embate em curso na Amazônia, pois tem como horizonte o destino e o futuro da região. Convidamos três especialistas para responder a seguinte pergunta: as hidrelétricas na Amazônia geram desenvolvimento para quem? O texto do jornalista Lúcio Flávio Pinto (Jornal Pessoal, Pará) parte da experiência histórica da UHE Tucuruí, cuja construção teve início em 1975, durante a ditadura militar, para questionar a construção da UHE Belo Monte, seja nas dúvidas provocadas pelo projeto
doi:10.1590/s1981-81222012000300001 fatcat:wlbzsk6ucfedvgxcva6nkplx3i