Educação interprofissional no contexto da pandemia

Rafaela Correa do Couto Martins, Adriana dos Santos Oliveira, Isabela Camile Fornazari Souza, João Victor Camargo Caldeira, Rayanne Souza Donato, Liliane Patricia Plentz, Priscila Balderrama
2020 Saúde e Meio Ambiente: Revista Interdisciplinar  
Introdução: O Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde/ Interprofissionalidade (PET-SI) contribui para a formação generalista e humanizada¹. A educação interprofissional (EIP) visa melhorar a prática colaborativa e a qualidade da atenção à saúde². A pandemia da COVID-19 impôs novos desafios ao programa e ao desenvolvimento da EIP. Objetivo: Descrever o uso de ferramentas tecnológicas em atividades remotas para o desenvolvimento da EIP pelo PET-SI. Metodologia: Relatar a experiência de
more » ... dêmicos de enfermagem, farmácia e medicina do PET-SI Três Lagoas-MS. A aplicação da EIP deu-se pela discussão simulada de caso clínico, de maneira remota, para a construção de um projeto terapêutico singular, na atenção básica, ressaltando-se as competências comuns, específicas e colaborativas. A plataforma utilizada foi o Google Meet. A atividade foi proposta em uma reunião do PET-SI, como alternativa ao cenário que impede atividades presenciais. Resultados: A escolha do tema foi pautada por uma vivência anterior dos acadêmicos. Simulou-se o caso clínico de uma mulher, 28 anos, solteira, nuligesta, sexualmente ativa, sangramento vaginal inespecífico, auto-medicada com anticoncepcional oral. Exame físico geral sem alterações, colo uterino centralizado, sangramento ativo. Passou pelo acolhimento com o enfermeiro e foi encaminhada à consulta médica. A colpocitologia oncótica foi realizada por ambos profissionais. Ao médico, coube a prescrição terapêutica. Na consulta de enfermagem, foi esclarecida sobre métodos contraceptivos disponíveis. A atenção farmacêutica norteou-se pela discussão da medicação. Sugeriu-se visita domiciliar pelo enfermeiro e farmacêutico para posterior reavaliação. Os alunos foram instigados a fomentar o protagonismo da paciente, como na atenção centrada na pessoa. Sobre os desafios dessa atividade, evidenciaram-se problemas de conexão, internet e pouco domínio da ferramenta tecnológica pelos profissionais. Na simulação utiliza-se um cenário ideal, que dificilmente ocorreria, pois é incomum no processo de trabalho da Unidade Básica de Saúde (UBS) a disponibilidade de profissionais para atendimento conjunto. O mesmo ocorre com acadêmicos, devido a polarização de grades curriculares e falta de suporte para flexibilizá-la³. Como avanços, percebe-se que a estratégia utilizada é uma alternativa viável e que auxilia na manutenção da EIP. Ademais, contribui para refletir sobre lacunas no processo de trabalho da UBS, para uma prática colaborativa e um cuidado integral. Conclusões: A EIP preconiza o desenvolvimento de habilidades que fomentam o trabalho colaborativo para qualificar a atenção. São evidentes as dificuldades para sua efetivação, porém, as ações do PET-SI auxiliam no enfrentamento desses desafios. A simulação e discussão remota de casos clínicos, com o uso de ferramentas tecnológicas, são uma alternativa factível para a conjuntura atual. Palavras-chave: Educação Interprofissional. Aprendizado Colaborativo. Assistência Integral à Saúde.
doi:10.24302/sma.v9isupl.1.3426 fatcat:iuyswtxc4zco7b27zmwmmk766a