O efeito de variáveis verbais e não verbais sobre o comportamento de escolha de alimentos em crianças [thesis]

Maira Cantarelli Baptistussi
AGRADECIMENTOS "Agradeço meus limites. Não me suportaria infinito. Os limites são vantagens." Fabrício Carpinejar Fazer um trabalho de pesquisa de qualidade requer disciplina, coerência e paixão, requisitos descritos por Pavlov em uma carta aos estudantes, que tive o privilégio de conhecer porque ter sido presenteada por uma professora muito especial em minha trajetória e formação acadêmica... Além disso, o reconhecimento dos limites é essencial para realizar pesquisa científica, dentro de
more » ... ica, dentro de normas éticas e dos rigorosos critérios acadêmicos, pois sem isso perderíamos a crítica e a noção de fim, necessária em qualquer prática. Entendo que para agradecer é preciso contar um pouco o que foi vivido até aqui e ao mesmo tempo mostrar gratidão a quem participou desta história de conquistas e limites e expressar algo, que se não dito, poderia se perder no silêncio... Desde pequena (pequena mesmo, segunda série do primeiro grau) eu comecei a colocar os pezinhos na educação... Quando minha professora faltava ou precisava de ajuda, lá estava eu, sempre disposta e disponível para ajudá-la com os outros colegas, passando o antigo "visto" de tarefas, ajudando-a a corrigir questões em sala de aula, dando exemplos de exercícios... E logo na terceira série, outra querida professora me dizia: "Você vai acabar sendo professora, você sabe explicar direitinho..." E assim foi: quando eu estava na sexta série comecei a dar algumas "aulas particulares" de matemática e português para colegas da turma ou da série anterior... Cada dia mais aulas e prazer por aquilo que vinha descobrindo na vida... Dei aulas na sexta, sétima e oitava séries, e me tornando uma pequena professora particular da escola em que estudei... No colegial já não dava aulas de forma oficial, mas sempre explicando aos amigos, tirando dúvidas quando sabia, pensando junto em soluções... Além deste lado "didático", era também a conselheira das amigas, a que conversava bastante, dava algumas idéias e "soluções para os problemas"... Hora da decisão profissional: eu só poderia ser psicóloga, mas uma psicóloga que se tornasse professora, pois isso eu não poderia perder: aquele desejo e prazer de ensinar, de pensar junto, de fazer algo para mudar a vida... Começou a graduação de Psicologia na UFSCar: ah como foi bom esse tempo... Amava dar seminários, fazer pesquisa, ser monitora, tudo o que enriquecesse minha aprendizagem e posterior prática profissional... Posso dizer que vivi a faculdade de maneira intensa: sentia cada aula na pele, cada relação afetiva construída ficou no coração e muita muita muita experiência para a vida... Fui fazendo estágios e me preparando para ser psicóloga, aprendendo a discernir as abordagens teóricas e a decidir pelo que mexia comigo verdadeiramente -a abordagem comportamental... Mas e a professora que sempre quis ser? Isso já estava na "alma"... Queria os dois: atender em consultório para ajudar as pessoas e formar pessoas que naturalmente me transformariam... E foi isso que fiz: fui me especializar em clínica e fazer o mestrado para exercer a prática docente. E nesta fase, muita, muita, muita aprendizagem novamente... Descobri na atuação os nossos limites, que me diziam até onde eu poderia ir e ao mesmo tempo me colocavam perguntas que eu poderia fazer... E fui fazendo, e as faço até hoje, sem parar, pois melhor que as respostas, só mesmo as perguntas, já dizia alguém que não me lembro... Depois do mestrado comecei a vida profissional propriamente dita: atender em clínica e ensinar na graduação como sempre desejei... Fui trabalhando incessantemente neste percurso: fazia cursos, organizava cursos, tentando criar uma prática psicológica comportamental criativa... Neste trajeto coordenei curso de graduação em Psicologia e especialização em Terapia Comportamental... Mas algo ainda me faltava, aliás sempre que estamos abertos ao novo, faltará... E em busca deste algo vim ao encontro do doutorado, de Martha, deste espaço aberto à ciência e ao pensar constante... E cá estou eu, concluindo este projeto tão sonhado e efetivamente batalhado... Agora o meu maior desejo é agradecer a todos que fizeram parte dessa história... Aos meus amados e incríveis pais pela educação afetiva, pelos modelos de persistência rumos aos objetivos e respeito ao outro... Aos meus preciosos irmãos Márcia, Marcelo e Mariângela, queridos cunhados Paulo e Eliete e sobrinhos amadíssimos Renan, Amábile e Letícia, pela parceria mesmo que distante, pelo afeto e disponibilidade para o que fosse preciso... Aos meus professores que deram início a minha formação pelos ensinamentos imprescindíveis e preciosos -professora da segunda série Maria Amélia Deienno e da terceira séria Neuza Ramalho dos Santos Vilani... Aos professores que participaram diretamente deste projeto pela dedicação e competência incontestáveis -à professora Deisy das Graças de Souza quem me deu a carta de Pavlov, me ensinou os conceitos básicos da Análise do Comportamento e a fazer gráficos de freqüência acumulada como ninguém; ao professor Júlio César Coelho de Rose que me ensinou a ler Sidman e a compreender que os sentimentos são produtos de contingências; ao professor Helio José Guilhardi que me ensinou a fazer análise funcional em clínica com toda a sua experiência e talento; ao professor Roberto Alves Banaco que me recebeu no sonho de ser docente, que me fortaleceu na prática de pesquisa, sendo terapeuta nos momentos de ansiedade do mestrado, professor ao ditar rumos do trabalho e amigo com seu afeto; às professoras Téia e Maria Amália que sempre acompanharam cada aluno nas dores e alegrias do mestrado, sendo educadoras para a Análise do Comportamento e para a vida; aos respeitados e competentes professores Roberto e Carla Paracampo que participaram da qualificação esclarecendo dúvidas e contribuindo com novos rumos do trabalho... ABSTRACT Baptistussi, M. C. (2010). The effect of verbal and nonverbal variables on children's foodchoice behavior. Doctoral thesis, Psychology Institute, University of São Paulo, São Paulo, under the supervision of Prof. Dr. Maria Martha Costa Hubner. Salzinger (1998) defines verbal behavior as an operant subject to consequences and argues that verbal behavior is part of a chain of verbal and nonverbal, overt or covert responses, being closely involved in managing other behaviors sometimes as "cause", acting as a discriminative stimulus, and other times playing an effect role. In this verbal enchainment, it is of fundamental importance to study the role of rules as verbal stimuli which describe reinforcing contingencies in a complete or partial manner and consequences, and control the likelihood of a response. The objective of this paper was to investigate the effect of antecedent verbal variables with and without autoclytics, consequents with autoclytics and nonverbal consequents, on the onset and maintenance of the behavior to choose varied foods for breakfast, considering the different food groups. To this end, twenty children aged between 10 and 12 were equally divided into five experiments with different arrangements as to the use of verbal and nonverbal variants. On the food choice table, there were four types of foods representing carbohydrates, two for fats and four for proteins, with a varied choice being considered as the response to choose at least two types of carbohydrates and proteins and one of fats. In all, ten different variables were tested in this study, with nine of them being verbal and one nonverbal, between antecedents and consequents, distributed among the experiments so as to maintain a balance of the number of phases in each one of them. There were antecedent variables with various degrees of description of the response the child was supposed to perform, each with different autoclytics, individually-and groupapplied variables and an aversive control variable. In some experiments we tried to reverse the phases using an antecedent variable with the phases which used a consequent variable, in order to establish a comparison as to their effectiveness in the onset and maintenance of the varied choice behavior. The main results indicate greater verbal control of consequent verbal variables with autoclytics and of antecedent variables with specific autoclytics and with detailed description of the response, which increases discriminability of the response-related stimuli and the likelihood of performing it. In addition to the assessment that components of the verbal variable may work better in controlling nonverbal behavior, the study evidences the important role played by social variables in the effectiveness of verbal control. It was identified, especially in experiment 5, that verbal control is higher in group, both regarding the change of behavior by all participants and its maintenance after verbal control was removed. General discussions on the results show that the food choice behavior seems to have been strongly settled along history, so that its alteration requires very specific verbal variables both antecedent and consequent.
doi:10.11606/t.47.2010.tde-09022011-103124 fatcat:uqnhuca7arealjuz6yipx3jwbm