Certificação de Internistas em Áreas Específicas do Conhecimento: Razões para o Fazer

João Araújo Correia
2021 Medicina Interna  
O modelo do exercício de Medicina Interna em Portugal e Espanha, é diferente doutras partes do mundo. Ele caracteriza-se por uma fortíssima formação generalista, que permite a qualquer Internista ter a "plasticidade" muito apreciada pelas Administrações Hospitalares, de se adaptar a trabalhar em qualquer área mais deficitária na instituição. Sente-se apto a trabalhar na enfermaria de agudos, na gestão dos doentes crónicos complexos, na discussão de casos raros e difíceis, no Serviço de
more » ... nas Unidades de Cuidados Intermédios, nos Cuidados Paliativos, ou nas várias Comissões de Qualidade e Segurança. A base generalista dos Internistas é a característica mais importante da especialidade que a torna uma mais valia no estudo das doenças sistémicas, com vantagem assinalável sobre os especialistas de órgão. A velocidade prodigiosa de crescimento do conhecimento médico, faz com que nenhum Internista possa estar "up to date" em todas as matérias. Será adequado dizer, que ao especialista de Medicina Interna, não há nada que lhe seja desconhecido, mas que também não sabe tudo de todas as coisas. Abrem-se duas grandes opções ao Internista: manter-se como sólido Internista generalista ou, conservando a sua base de formação geral, ter uma dedicação a uma área especifica, buscando uma competência de excelência. Os 21 Núcleos de Estudo da SPMI, refletem a necessidade dos Internistas dedicados a áreas especificas se encontrarem, promoverem atividades formativas, desenvolverem Unidades de tratamento dirigidas, publicarem protocolos de diagnóstico e terapêutica ou darem informação útil aos seus doentes. É muito importante que Internistas dedicados há vários anos ao tratamento dos doentes de áreas particulares (doenças autoimunes, doença VIH, diabetes, medicina obstétrica, medicina de urgência, hospitalização domiciliária, insuficiência cardíaca, cuidados paliativos, hipertensão pulmonar, doença respiratória crónica, doença hepática crónica), possam ter reconhecimento das suas competências. É uma questão de justiça, mas também de defesa desses especialistas dedicados, que por vezes são confrontados com a ameaça de lhes ser cortada a possibilidade de prescrição de terapêuticas inovadoras, aos seus doentes de sempre. © Autor (es) (ou seu (s) empregador (es)) e Revista SPMI 2020. Reutilização permitida de acordo com CC BY-NC. Nenhuma reutilização comercial. © Author(s) (or their employer(s)) and SPMI Journal 2020. Re-use permitted under CC BY-NC. No commercial re-use.
doi:10.24950/pp/4/2020 fatcat:5kfmmrh5jrfkleewymhrhq2d3a