Família, parentalidade e época: um "nós" que não existe [thesis]

Daniela Waldman Teperman
A meu orientador, Rinaldo Voltolini, pela confiança, pelo respeito e pela tranqüilidade, fundamentais para que eu pudesse suportar o tempo -tão demorado! -de compreender, e para que os "achados" surgissem nesta pesquisa. A Caty Koltai, professora querida desde os tempos da graduação, pelas contribuições preciosas e instigantes no exame de qualificação, decisivas para os destinos desta pesquisa. A querida Leda Bernardino, que testemunha um modo possível de pensar a clínica e de circular entre os
more » ... e circular entre os psicanalistas e entre os profissionais de outras áreas; amiga desde o mestrado, leitora delicada e dedicada no exame de qualificação. A Inês Loureiro, pela disponibilidade, pela generosidade e pelo cuidado impressionantes na leitura e nos comentários deste trabalho e por me fazer lembrar porque escolhi a pesquisa acadêmica. A minha mãe, Marta, de quem herdei, não sem relutar um pouco, algumas inquietações e o especial interesse por aqueles que "têm um brilho no olhar". A meu pai, Rogério, que faz tanta diferença na minha vida, que me acompanha sempre de perto. A Luisa, que me mostrou desde os primeiros dias de vida como uma filha pode ser tão amada e tão diferente da mãe, e que tem me mostrado que é possível inventar a própria família de outro jeito, do seu jeito, que eu respeito e admiro. Aos meus irmãos André, Fernando, Ricardo e Julia, tão queridos! A Maria Helena, que faz parte da minha família desde sempre. A Dani, minha cunhada querida, Ricardo, meu primeiro sobrinho, e Dudu, o mais novo integrante da família. E a Bia, cunhada-parceira em tantos momentos. A Renata Petri, pela amizade preciosa, construída aos poucos, fortalecida ao longo dos anos. A Luciana Pires, amiga-irmã, que é parte da minha história, por tantos bons momentos partilhados. A Luciana Annunziata Lopes, pela amizade de uma vida inteira. A Ilana Katz Fragelli amiga querida, comadre, e que, junto com Guto, Miguel e Deco, é também minha família. A Débora Valentini, por sua admirável integridade, por seu modo de mostrar-se amiga. A Heloisa Prado, por me mostrar com tanta precisão como posição ética e estilo podem andar tão bem juntos. 6 A Domingos Infante, pela transmissão viva, pela generosidade ao partilhar suas construções fundamentadas na pesquisa e na clínica e por marcar sempre os riscos das generalizações na clínica psicanalítica, recomendação que me acompanha sempre e que procurei seguir à risca nesta pesquisa. A Ethel Akkerman, pela amizade, pelo carinho e por acompanhar-me de perto no dia a dia e na confecção deste trabalho. E às minhas queridas parceiras de consultório Maria Elisa Pessoa Labaki e Margaret Cross Silva. Aos colegas do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psicanálise com Crianças: Adriana , pela experiência clínica compartilhada, pelas discussões instigantes e pelos comentários preciosos. A Tatiana Mazzarella, com quem partilho inquietações na clínica e na transmissão. A Suzana Fontenelle, amiga carinhosa, parceira em caminhadas sempre animadas por discussões temáticas. A Bel Abreu, pela atenção, pelo cuidado e pela companhia durante o doutorado. A Maria Luiza Bonanata da Rocha pela revisão criteriosa e pelo cuidado de não modificar meu estilo de escrita. A CAPES, que financiou esta pesquisa. ABSTRACT TEPERMAN, D. W. Family, parenting and age: an "us" that does not exist. Thesis (doctorate). Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012. "Parenting" is a neologism that has been achieving consistency over the last years and that tends to replace the term "family". It is possible to identify this concern in various authors, from different disciplines, extracting different consequences from the possible replacement of the term. Would there actually be such an aspiration in this new term and in its underlying speeches? Would such an aspiration be sustainable when one understands that, at the present times, the family experiences an unprecedented crisis? Would parenting implicate a risk for the familial transmission? Questioning such issues was the starting point from which I initiated this research. The initial unease was provoked by the understanding that the new term would be inseparable from the intervention of the specialist in the sphere of the family and by the mistrust that it would secure its basis in the lack of differentiation and asepsis in the familial transmission. The investigation of the origins of this neologism, of its underlying speeches and of the practices that it authorizes has enabled the identification of three streams through which it appears today: how to nominate the parent, as a means to handle the changes in the sphere of the family and shaped as a public speech conveyed by the family specialist. To evaluate each of these aspects individually, to recognize the consistency that the term parenting continues to achieve in current times as "symptomatic of today's scenario", and to circumscribe the family in its function of residue -reduced to the minimum necessary conditions for existence of subject -was fundamental in order to establish the basis for the possible articulations among family, parenting and age. The roadmap that was accomplished allow us to state that the family as residue, grounded in the motherhood and fatherhood functions and in the manners by which father and mother are shaped as semblants, is side by side with the structure: needed, however dependent on what relates to contingency, that is, it is uncompleted by the features, positions and values that prevail in social speech in the social ties in a certain age, and by the singular position of the subjects implicated in each of these functions. Psychoanalysis, as it tilts between the universal and the homogeneous that are 11 driven by the speeches about parenting and the singularity that is inherent to the notion of family as residue, report the impossibility of covering the lack (condensed in the lacanian aphorism "there is no sexual relationship"). In such a way that FOR EVERY ONE inherent to the speeches about parenting, the role of psychoanalysis is to respond by resending each family to its singularity. Nevertheless, a deadlock is generated when parenting is presented necessarily annihilating the family in its condition of residue, implicating in risk for the children, for "the sons of parenting". The encounter with the book The Day in which my father went silent, from Virginie Linhart -mainly the amazement in the face of the consistency of the statement "the children from 68" -, has enabled this investigation to distance from generic or universalized manners of comprehension, to which the researched theme has proved to be particularly sensitive. It has also enabled a positioning in the face of the authors, who, grounded in the sphere of the family, foreshadow a dramatic future for the subject. Throughout this research I believe I have gathered the elements to question the validity of statements such as "the sons of parenting", and one of the "findings" to which direction I was led by the amazement is that an age does not shape an "us" with the subjects that are part of them. As it exceeds the "us" in the singular jouissance from which each father and each mother provide their testimony in the transmission, the family is inclined to continue to generate leaks in the consistency and in the asepsis foreseen in the normative and orthopedic speeches about parenting.
doi:10.11606/t.48.2012.tde-16082012-112951 fatcat:nwjjoygqjjezdagqby7gyplj4y