Literatura, escrita-inventiva e virtualização do eu

Maria Izabel Campos Pantaleão, Virgínia Kastrup
2015 Revista Interinstitucional Artes de Educar  
Quando se observa o ensino da literatura na escola, constata-se que o texto literário, via de regra, é examinado apenas em seu aspecto formal, importando saber em que período históricoliterário o texto se insere e quais são os elementos que caracterizam cada período. A arte literária é analisada, portanto, a partir da teoria da literatura. Apresentada dessa forma, a arte poética perde a sua potência de capturar e de provocar ressonâncias. Uma vez dissecado, o corpo textual, como campo de
more » ... omo campo de sentidos, se dilui. Roland Barthes (1984) discorre sobre o ensino equivocado da literatura nas escolas francesas e enumera algumas sugestões em outra direção: Substituir o autor, a escola e o movimento pelo texto. (...) seria preciso tratar o texto não como objeto sagrado (objeto de uma filosofia), mas essencialmente como espaço de linguagem, como passagem de uma espécie de infinidade de digressões possíveis, e, portanto fazer irradiar, a partir de um certo número de textos, um certo número de códigos de saber neles investido (BARTHES, 1984, p.43).
doi:10.12957/riae.2015.11686 fatcat:mfnoea65p5hnhpydtxtnvlvlfm