HAGEMEYER, Rafael Rosa. Historia & Audiovisual. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2012

Maria Da Conceição Francisca Pires
2013 Domínios da Imagem  
Domínios Da imagem, LonDrina, v. 7, n. 13, p. 122-124, jul./dez. 2013 122 Por vários anos nós, historiadores que privilegiamos a análise dos registros visuais como testemunhos da história, acontecimentos ou de experimentos, nos preocupamos em iniciar nossos estudos defendendo a pertinência destes como fontes documentais e a importância de se identificar os significados que neles se constituem para além daquilo que é dado a ver. Com os filósofos, antropólogos, cientistas sociais, buscávamos
more » ... is, buscávamos argumentar sobre as frestas abertas pela força das imagens e acerca das suas possibilidades discursivas para além das palavras, estas últimas também signos a serem reconhecidos e decifrados. Era imprescindível tirá-las do recalque a que tinham sido levadas pela história e, como Walter Benjamin, reconhecê-las como uma epifania da verdade. No transcurso da construção desse objeto, discutir os elementos agregados às imagens se mostrou fundamental para a sua compreensão de forma mais ampla. Tornou-se imperativo contemplar as diferentes sonoridades produzidas em conjunto com as imagens para prover silêncios existentes, os códigos linguísticos e sígnicos empregados para presentificar ausências, os diferentes suportes utilizados para lhes conferir tangibilidade, as plurais intencionalidades humanas que construíram as representações para cativar e convencer a platéia sobre aquilo que é visto e ouvido. Tudo isso, sem descuidar do fato de que tudo isso movimenta o "museu imaginário" individual daquele que durante o "ato de espreitamento" abordado por Certeau (1994) vê enquanto ouve, sente enquanto olha, pensa enquanto sente. Renovaram-se as questões a serem colocadas, agora não só para os registros visuais, mas também para os audiovisuais que para além dos olhos nos afetam os ouvidos (e porque não dizer, os outros sentidos). Os registros audiovisuais contemporâneos extremizam o ideal romano de arte. Buscam ser a cópia mais que perfeita não só do que existe, mas do possível ainda inexistente. No exercício de unir som e imagem, mostram-se capazes de abandonar a eloquência discursiva das palavras e nos emudecer, ou ainda de produzir sons para desdizer, sem contribuir para a efetivação do diálogo no interior de uma dada audiência.
doi:10.5433/2237-9126.2013v7n13p122 fatcat:bicuodlet5b2zkxifetzmq3mhm