Influence of alternative feedstuffs in pig reproduction
Influência dos alimentos alternativos na reprodução de suínos

2014 Acta Veterinaria Brasilica  
O uso de alimentos alternativos na suinocultura é objeto de pesquisas frequentes na comunidade científica. No entanto, os experimentos ocorrem, em maior número, nas fases produtivas, ou seja, creche, crescimento e terminação. Nesse sentido, os trabalhos com animais de categorias reprodutivas, por necessitarem de um tempo maior para execução e por não representarem o maior custo na produção suinícola, não apresentam a mesma quantidade de investigações científicas que os animais destinados ao
more » ... s destinados ao abate. A alimentação animal, historicamente, possui no milho e na soja os principais ingredientes. Contudo, a crescente utilização do milho, inclusive para a produção de combustível, sobretudo nos Estados Unidos, e as safras irregulares, decorrentes das instabilidades no clima, pressionaram o mercado de grãos e aumentou a necessidade do uso de alimentos alternativos sem diminuir a produtividade dos animais. A preocupação torna-se maior nas regiões importadoras de milho e soja, como o Nordeste brasileiro. O uso de qualquer alimento deve seguir critérios técnicos, produtivos e econômicos, além da análise dos seus efeitos sobre o desempenho produtivo e reprodutivo dos animais. Sempre que houver a possibilidade de uso de um alimento alternativo, em função de disponibilidade, baixo custo e facilidade de transporte, serão necessários conhecer seu valor nutricional e a presença de fatores antinutricionais. A exigência de produtividade e precocidade dos suínos elevou a expectativa de eficiência desses animais que apresentam maior peso corporal, maior teor de proteína na carcaça e baixa reserva de gorduras, como exemplo, espera-se que fêmeas suínas apresentem um ganho de peso diário entre 700 e 800 gramas para que as mesmas atinjam uma puberdade precoce. A recomendação é de que as marrãs sejam cobertas com 140-150 kg de peso vivo, com idade aproximada de 220 a 240 dias, 14 a 16 mm de espessura de toucinho dorsal e, a partir do 2º cio, preferencialmente no 3º cio. Na fase de gestação, é importante a garantia de formação de reservas, implantação dos embriões, definição do número de fibras musculares dos leitões, desenvolvimento das glândulas mamárias, crescimento e desenvolvimento dos fetos e desempenho reprodutivo subsequente, todavia uma ingestão alta de alimentos nessa fase pode causar uma redução do consumo na fase de amamentação. Na fase de lactação, as fêmeas possuem balanço energético negativo, ou seja, a necessidade de nutrientes não é suprida pela ingestão de alimentos e a mobilização de reservas (catabolismo) é essencial para que a matriz continue a produção de leite. Nessa fase, deve ser observada a necessidade de se aumentar a densidade energética das raçõesflushing. O consumo de ração pelas matrizes, normalmente, é influenciado pela temperatura e pela umidade relativa ambiente. O consumo tem sido maior quando as condições climáticas se encontram dentro da zona de conforto térmico e menor quando o calor gerado pela ração ou pelo ambiente supera a sua capacidade de dissipação. Em ambientes quentes como o Nordeste, a adição de gorduras nas rações pode ser uma alternativa, em que pese a recomendação de níveis até 5%, pois níveis maiores podem reduzir a palatabilidade e ocorrer rancificação. Na alimentação de varrões, usualmente é utilizada a mesma ração fornecida para fêmeas gestantes. Todavia, caso não se forneça os níveis adequados, o reprodutor pode apresentar problema de fertilidade e libido, pois o alimento fornecido deve otimizar a qualidade do ejaculado e prolongar a vida reprodutiva do animal. Observada a importância da nutrição na eficiência dos animais destinados à reprodução, deve-se definir, dentre os alimentos alternativo existentes, qual(is) pode(m) ser utilizados na dieta animal. No Nordeste brasileiro, as principais opções alimentares para uso em suínos são o sorgo, mandioca, cana de açúcar, soro de leite, algaroba, caju, coco, cevada, gorduras e óleos vegetais, algodão, girassol e farinhas de carne, osso e sangue.
doi:10.21708/avb.2014.8.0.3946 fatcat:nisaffv2djaz5nnaarfwuktfga