ANÁLISES DE TRANSFORMAÇÕES MORFODINÂMICAS EM SÍTIO URBANO: O CASO DA VILA AUGUSTA/ REGIÃO METROPOLITANA DE PORTO ALEGRE/ RS

Moisés Ortemar, Rehbein¹ Nina, Simone Vilaverde, Moura Fujimoto²
unpublished
Resumo: A Vila Augusta, localizada na periferia da Região Metropolitana de Porto Alegre/RS, freqüentemente é afetada por inundações. Para embasar o fenômeno das inundações e criar elementos de reflexão sobre a eficiência das medidas preventivas adotadas na Vila Augusta, foram desenvolvidas atividades de interface gabinete-campo, de levantamentos bibliográficos, produção de documentos cartográficos, vistorias e entrevistas sobre área de estudos que, especialmente embasadas em ROSS (1992) e
more » ... ROSS (1992) e FUJIMOTO (2001), objetivaram análises de transformações morfodinâmicas, associadas às intervenções antrópicas, nos padrões de formas semelhantes do relevo da bacia hidrográfica em que se insere a Vila. As intervenções sócio-ambientais, na Vila e em sua bacia hidrográfica de inserção, alteram dinâmicas naturais e inserem outros ritmos ao ambiente, sobretudo, com relação aos processos de erosão e deposição, intensificando-os. As tentativas de resolução das inundações na Vila estão centradas em intervenções infra-estruturais junto aos canais fluviais que a drenam. Todavia, tratam-se as inundações de fenômenos que reflexos das transformações morfodinâmicas no contexto das vertentes da bacia hidrográfica. Palavras-chave: Morfogêneses; Transformações morfodinâmicas; Inundações; Estudo de caso. Considerações Introdutórias Em áreas do urbano, em virtude da comumente elevada densidade ocupacional, a topografia surge como um importante elemento a orientar o processo de ocupação. Nas atividades de planejamento sobre as cidades são pertinentes as preocupações com as características do sítio urbano. Esse reconhecimento, da importância do estudo do relevo, não é fortuito, pois os relevos constituem pisos sobre os quais se fixam as populações humanas e são desenvolvidas suas atividades, das quais derivam valores econômicos e sociais. Em função de suas características e dos processos que sobre eles atuam, os tipos de relevo podem oferecer, para as sociedades, níveis de benefícios ou riscos dos mais variados. Suas maiores ou menores estabilidades decorrem de suas tendências evolutivas e das interferências que podem sofrer dos demais componentes ambientais, sobretudo, da própria ação do homem (MARQUES, 1995). A Geomorfologia analisa as formas de relevo focalizando suas características morfológicas, materiais componentes, processos atuantes e fatores controlantes, bem como a dinâmica evolutiva. Compreende os estudos voltados para os aspectos morfológicos da topografia e da dinâmica responsável pelo funcionamento e pela esculturação das paisagens topográficas (CHRISTOFOLETTI, 1995). O conhecimento geomorfológico tem buscado respostas para questões que possam explicar como processos se articulam entre-si; como evoluem os conjuntos de relevo; qual o significado do relevo no contexto ambiental; como interferir ou controlar o funcionamento dos processos geomorfológicos; como conviver com os processos catastróficos; como projetar (no espaço e no tempo) o comportamento dos processos e as formas de relevo resultantes (MARQUES, 1995). Embora numa grandeza espacial-regional a paisagem topográfica pareça imutável, entretanto, numa escala local e ou pontual, pode apresentar modificações sensíveis no transcurso de décadas e ou mesmo de anos. Processos, tais como deslizamentos, voçorocamentos, carreamento de detritos das vertentes ou assoreamentos, são geralmente interpretados como indicadores 1
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