EVOLUÇÃO DAS TAXAS DE DETECÇÃO DE HANSENÍASE EM MENORES DE 15 ANOS NO NORDESTE BRASILEIRO, 2001 A 2015

Heloisy Alves De Medeiros Leano, Maria Da Fonseca, Azevedo Araújo, Rayssa Nogueira, Rodrigues, Isabela De, Caux Bueno, Gabriela De Cássia, Ribeiro, Francisco Carlos, Félix Lana
2001 unpublished
Introdução: A hanseníase é um importante agravo de saúde pública devido sua repercussão psicossocial e biológica. Apesar do declínio observado mundialmente, ainda é prevalente em alguns países, inclusive no Brasil. Quando ocorre na infância, torna-se ainda mais grave, uma vez que aponta para infecção ativa na comunidade e a necessidade de aprimorar programas de controle locais. O Nordeste brasileiro é uma região historicamente acometida pela hanseníase, e dois estados da região pertencem ao
more » ... ão pertencem ao cluster principal da doença estabelecido pelo Ministério da Saúde. Objetivos: Analisar a evolução das taxas de detecção de casos novos de hanseníase em menores de 15 anos nos Estados do Nordeste/Brasil, no período de 2001 a 2015. Materiais e Métodos: Estudo ecológico de tendência temporal considerando os estados do Nordeste como unidade de análise. A população de estudo foram os casos novos de hanseníase, notificados entre 2001 e 2015. Os dados secundários foram oriundos do SINAN por meio do e-SIC do Ministério da Saúde, as estimativas populacionais foram extraídas do IBGE. Os dados foram tratados no Microsoft Office Excel 2010 e as análises de variância e comparação entre os grupos foram realizadas no Statistical Package for the Social Sciences. A metodologia de construção dos indicadores seguiu a recomendações do Ministério da Saúde. Resultados: Em relação aos casos de hanseníase em menores de 15 anos, o Nordeste notificou 20.894 casos novos, a taxa nessa faixa etária, após tendência crescente, se manteve estacionária no nível de "muito alta endemicidade"(8,8-7,7-média 8,03), situação semelhante aos estados do Ceará(média 5,38), Bahia(média 5,24) e Sergipe (média 5,21). Nesse mesmo período o Maranhão, Pernambuco e Piauí, persistiram em hiperendemicidade, com médias de 17,98, 11,95 e 10,76 respectivamente. O Rio Grande do Norte obteve em 2015 um crescimento vertiginoso para taxa em menores de 15 anos, passando de média (1,88) para muito alta endemicidade(4,16). O mesmo estado apresentou tendência crescente para detecção geral de casos novos até 2007 (8,08-11,41), e se manteve no nível de média endemia no restante do período (8,79-7,76). Em relação a taxa de detecção geral no Nordeste, que notificou 239.507 novos casos no período estudado, apresentou tendência decrescente para a taxa de detecção de casos novos de 2005 a 2010 (37,84-27,64), mas estacionária (26,10-23,06) no último quinquênio, mantendo-se no nível de muito alta endemicidade, situação semelhante ao Piauí(37,08-33,28), Pernambuco(29,95-25,63), Ceará(23,29-20,09). Conclusões: As taxas de detecção geral e em menores de 15 anos na região Nordeste demonstraram tendência estacionária nos últimos anos, porém alguns estados apresentam aumento dos casos na infância. Portanto, é possível afirmar a existência de casos de hanseníase sem diagnóstico e tratamento contribuindo para transmissão continuada da doença. Esses dados reafirmam fragilidades de programas de controle locais. Sugere-se assim, maior enfoque em capacitações de profissionais, atividades de busca ativa, por meio de realização de campanhas e exames de contactantes, além de vigilância em escolares. Por fim, destaca-se a importância de investimentos em políticas públicas para diminuição das desigualdades na Região Nordeste, haja vista a íntima relação da hanseníase com as condições sociais.
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