A intertextualidade conotada

Eduardo Peñuela Cañizal
1990 Significação: Revista de Cultura Audiovisual  
Diz Roland Barthes que, diante de uma foto, "a consciênáa não toma necessariamente a via nostálgica da lembrança (quantas fotografias estão fora do tempo individual), mas, sem relação a qualquer foto existente no mundo, a via da certeza: a essência da Fotografia consiste em ratificar o que ela represe ma". (1984: 127-128) Com base nessas palavras, tenho para mim que a hipótese levantada pelo famoso semioticista abre novos caminhos àcompreen-. são de mensagens fotográficas, embora seja
more » ... e acautelar-se da idéiá de que aquilo que a foto representa se reduz à reprodução de elementos exteroccptivos do mundo. É preciso admitir que as mensagens fotográficas representam também aspectos ou traços do mundo e das linguagens que interferem nos atos sociais que não são, forçosamente, visíveis. O fato de que -toda fotografia seja "um certificado de presença", como reconhece o autor da Câmara Clara, não valida o princípio de que a presença de alguma coisa só se manifesta quando se torna palpável. Parece mais prudente conviver com o pressuposto de que o espaço do discurso fotográfico é, no mínimo, lugar onde habita a suspeita, tal qual o próprio Barthes insinua em fragmento que continua o trecho já citado: "Certo dia, recebi de um fotógrafo wnafoto minha, sendo-me impossível, apesar de meus esforços, lembrar-me de onde fora tirada; eu examinava a gravata, o pulôver, para descobrir em que circunstância eu os tinha usado; trabalho inútil. Todavia, porque era uma fotografia, eu não podia negar que eu tinha estado lá (mesmo que eu não soubesse onde). Essa distorção entre a certeza e o esquecimento me deu uma espécie de vertigem, e como que uma angústia SIGNIFICAÇÃO-OUTUBA0/1990 -N• 8 e 9 63
doi:10.11606/issn.2316-7114.sig.1990.65498 fatcat:nqslc6oz7ngalgbenjrqhh4f5q