PSICOLOGIA NA EDUCAÇÃO: PANORAMA DA PSICOLOGIA ESCOLAR EM ESCOLAS PÚBLICAS DE GOIÂNIA

Larissa Goulart Rodrigues, Regina Lúcia Sucupira Pedroza
2012 Inter-Ação  
resumo: A psicologia tem construído historicamente estreitas relações com a educação. A psicologia escolar, enquanto campo de atuação da psicologia na educação, é uma das formas que têm se estabelecido em tais relações. Nosso objetivo foi analisar como estão essas relações no contexto goianiense hoje em dia, isso é, qual é o panorama atual da psicologia escolar em escolas públicas da cidade de Goiânia (GO). Para tanto, entramos em contato com as Secretarias Estadual e Municipal de Educação e, a
more » ... al de Educação e, a partir da análise de entrevistas, verificamos que é incipiente a inserção do psicólogo escolar nesses âmbitos. Consideramos que alguns passos já foram dados em direção à ampliação desse espaço, embora ainda seja necessário um esforço coletivo para uma efetiva ocupação do mesmo, em prol de processos educativos mais significativos. Palavras-chave: Processos educativos. Psicologia escolar. Escolas públicas. Goiânia. introdução A psicologia tem construído historicamente estreitas relações com a educação. No Brasil essas duas áreas se constituíram mutuamente. A psicologia tem se inserido na educação como um de seus fundamentos científicos e, também, como uma área específica de atuação -a psicologia escolar -, buscando contribuir com processos educativos mais significativos. A psicologia escolar é, então, um campo profissional de atuação da psicologia na educação, o qual vem crescendo e conquistando cada vez mais espaço em nossa sociedade. Tem se ampliado e abarcado diversos campos educacionais, como abrigos, penitenciárias, programas de educação comunitária, programas governamentais, universidades e outros, tal como nos apontam Mitjáns Martinez (2009) e Souza (2009). Entre todos os espaços que o psicólogo escolar pode ocupar atualmente, consideramos ser a escola o campo mais profícuo para sua inserção. Esse é o espaço educacional mais abrangente, pois, comparativamente aos demais, é o que oferece maior demanda para tal profissional, já que atende um número maior de pessoas. Além disso, a parceria do psicólogo com as escolas é bem antiga, tendo sido fundamental para a institucionalização dessa profissão. Contudo, historicamente, a psicologia tem ganhado presença nas escolas, e na educação de modo geral, por meio de uma postura autoritária, normatizadora, adaptacionista. Sua prática se voltava (e ainda se volta, em muitos casos) ao atendimento de situações-problema na escola, em especial alunos com queixas escolares. Desse modo, a partir de uma atuação clínica, trata-os individualmente, devolvendo-os à sala de aula bem ajustados. Fornece, ainda, prescrições a serem seguidas pelos professores e pela escola, sobretudo no que tange a esses alunos. Essa prática da psicologia se caracteriza, então, como naturalizadora, ao ponderar que há um modo natural de ser, o qual deve ser seguido por todos. É também descontextualizada, pois desconsidera a história e as relações envolvidas na produção das queixas escolares. Tal perspectiva, conforme retrata Souza (2000) , é "fruto da história do pensamento hegemônico de uma Psicologia a serviço da exclusão educacional e social" (p. 106). Essa visão é que nos leva à situação exposta por Machado e Souza (1997), de que as crianças-problema encaminhadas para atendimento do psicólogo, de um modo geral, são oriundas de escolas públicas e pertencentes aos segmentos mais pobres da população. Seus problemas, isto é, suas dificuldades em aprender, são, então, atribuídas a déficits cognitivos, intelectuais, emocionais ou até sociais. Essa postura reflete, de acordo com Patto (1999), a teoria da carência cultural que se embasa em uma crença na incompetência das pessoas pobres. Denota-se, assim, o compromisso da psicologia que tem estado ligado aos interesses da classe dominante. Esse papel ao qual a psicologia se preza, em especial no campo educacional, tem sido fruto de reflexões e críticas desde a década de 1980. A partir de então, têm-se buscado novos referenciais para essa prática, visando uma psicologia escolar crítica, refle-
doi:10.5216/ia.v37i2.13088 fatcat:jeoojth52vdcjandpvtsnkobjq