São Francisco de Assis, uma tradição e a análise temática do "Cântico Delle Creature"

Vilma K. Barreto de Souza
1986 Língua e Literatura  
São Francisco, apesar de exaltar os homens idiotas e iletrados, muito amou e respeitou as letras. Tommaso da Celano (1) conta que o Seráfico recolhia qualquer " rotuletto" e pedaço de pergami nho que estivesse pelo chão, temendo pisar sobre o nome do Senhor, ou sobre algum trecho que falasse de coisas divinas. E, quando um seu discípulo lhe perguntava por que recolhia com tal cuidado os escritos dos pagãos, ter-lhe-ia respondido " Fili mi, litterae sunt exquibus componitur gloriosissimum Dei
more » ... en" e, depois acres centava que, o que em tais escritos podia ser bom, não pertencia aos pagãos nem aos outros homens, mas só a Deus, de quem procede todo o bem. Desse modo genialíssimo Francesco respeitava todas as litera turas sacras e profanas, como o mais iluminado humanista. E depois, é sabido que ele gostava de falar e de cantar em francês. Está fora de dúvida que ele conhecesse bem os romances de cavalaria franceses; de outro modo não se explicariam tantas alusões, nos seus discursos, a imagens cavalheiresco. Falando de Frei Egídio, com os seus confrades, exclama " Eis o nosso Cavaleiro da Távola Redonda" ! Carlos Magno, Orlando, Olivier e " tutti i paladin" são lem brados no Speculum Perfectionis (2) e, é dito no mesmo Speculum que os bons frades devem saber operar o bem, e rezar na solidão para não assoberbar as vaidades: nessa ocasião são chamados "i fratelli miei, cavalieri delia Tavola Rotonda", estes são os meus ir mãos cavaleiros da Távola Redonda, que se mantêm escondidos em
doi:10.11606/issn.2594-5963.lilit.1986.113993 fatcat:wfv4obbpcngb7g2mqz565i3kgm