A relação mãe criança: esboço de um percurso na teoria psicanalítica

Cynthia Nunes de Freitas Farias, Glaucineia Gomes de Lima
2004 Estilos da Clinica  
Psicóloga do Hospital das Clínicas da FM-USP e psicanalista. Psicanalista e doutoranda em Psicologia pelo IP-USP. As autoras analisam o estatuto da relação mãecriança na teoria psicanalítica. Apresentam a concepção de Freud, que liga maternidade e castração, postulando que o filho é um substituto do falo. Discutem a via seguida pelos pósfreudianos, que entendem que o filho viria como resposta para o ser mulher. Demonstram que Lacan retoma a via freudiana e religa maternidade e castração,
more » ... e castração, operando uma disjunção entre ser mãe e ser mulher. Psicanálise; castração; Édipo; relação mãecriança; feminilidade THE MOTHER-CHILD RELATIONSHIP: AN ANALYSIS ACCORDING TO THE PSYCHOANALYTICAL THEORY The aim of this paper is to analyze the statute of the mother-child relationship, according to the psychoanalytical theory. The authors discuss both the Freudian concepts, which link the maternity to the castration and postulate that the son is a substitute for the phallus, and the post-Freudian publications, which state that the son represents an answer to the femininity. The authors also report the concepts of Lacan regarding the maternity and the castration as a separating factor between the mother and the woman. Psychoanalysis; castration; Oedipus; mother-child relationship; femininity Em algumas teorizações psicanalíticas, relaciona-se a maternidade à feminilidade, postulando o ser mãe como resposta ao ser mulher. Na tentativa de abordar o tema, se partirá das seguintes interrogações: qual o estatuto da relação mãe-criança na teoria psicanalítica? E em que medida a maternidade poderia responder ao enigma do feminino? Segundo Brousse (1993), de Rousseau aos médicos higienistas do século XIX e início do século XX, desenvolveu-se um discurso marcado pela definição da feminilidade pela maternidade. No entanto, alerta a autora, este discurso mesmo não foi capaz de saturar a distância que existe entre o ser mãe e o ser mulher, pois a maternidade não pode responder ao enigma da feminilidade. Badinter (1985) mostra que até o século XVIII a criança era tratada com indiferença, frieza e apa-
doi:10.11606/issn.1981-1624.v9i16p12-27 fatcat:os6ckr6pkneanguu2u6j5cviim