Esboço de uma Fenomenologia da Liberdade

António Fazeres
2000 Phainomenon  
A realidade humana compreendida entre dois factos inultrapassaveis e irrecusaveis -o nascirnento ea morte -emerge no mundo com um unico desfg nio: fazer-se a si pr6pria. See verdade que nao lhe cabe a escolha entre o poder ou nao vir a existencia, o que quer dizer que nao e fundarnento de si pr6pria , uma vez larn;ado no mundo o homem e o que de si fizer ou, como disse Sartre, em L'Existencialisme est un Humanisme: " [ ... ] o homem nao e mais do que o que ele faz." 3 Contrariamente a uma
more » ... ao que sempre procurou compreender e explicar a existencia humana a luz de uma essencia, que lhe seria previa e coma tal preconfigurativa, ou que informaria a existencia de um telos com o peso de um destino incontomavel, Sartre defendera. [ ... ] que o homem primeira mente existe, se descobre, surge no mundo; e s6 depois se define." 4 Para o ser humano o nascimento e coetaneo a passagem da sua 'carta de alforria'. 0 nascimento entrega-lhe a vida nas maos e deixa-o num mundo que nao sendo, a partida, nem hostil nem amigavel, ele se ve compelido a habitar e a dar um sentido. Concornitantemente, a constitui�ao do mundo e tam bem a constitui�ao de si pr6prio. I Acerca da importancia e desenvolvimento da no9ao de liberdade no pensamento de Sartre, na sua dimensao individual e colectiva, Cf. Beauvoir, Simone de, "Entretiens avec Jean-Paul Sartre aout-septembre 1974" in La cerenwnie des adie11.x "Collection Folio",
doi:10.2478/phainomenon-2000-0003 fatcat:drr7ejketveezbepxn2tt5w53u