NOTA CIENTÍFICA

Revista Brasileira De Biociências, Porto Alegre
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Introdução O estudo da decomposição vegetal tem sido relatado para diversos ambientes, tanto terrestres como aquáticos [1, 2]. Em sistemas de água doce, a perda de biomassa vegetal está relacionada às características físicas e químicas da água, como também às características biológicas, tanto no que se refere à comunidade aquática que degrada o material foliar, quanto às características inerentes à espécie vegetal enfocada [2]. A qualidade do material vegetal (i.e., folhas, galhos, frutos)
more » ... alhos, frutos) apresenta diferentes velocidades de decomposição [3], assim como há diferenças na taxa de decomposição entre distintas espécies vegetais. Segundo Webster & Benfield [1], quantidade de nutrientes, concentração de fibras e presença de inibidores químicos estão entre os fatores inerentes à espécie vegetal que influenciam na perda de biomassa vegetal. Maiores quantidades de lignina estão relacionadas à menor velocidade de decomposição e, por outro lado, materiais com concentrações elevadas de nitrogênio apresentam decomposição mais rápida [1]. Algumas características físicas e químicas das plantas podem permanecer atuando durante ainda algum tempo no ambiente aquático, como por exemplo, os compostos secundários, os quais se apresentam como inibidores da fauna. Estudos apontam que espécies pertencentes a mesma ordem de angiospermas apresentam similaridades quanto aos compostos secundários existentes [4]. Este estudo procurou determinar a taxa de decomposição foliar de Ocotea puberula (Rich.) Nees (Lauraceae) em nove trechos com distintas variações ambientais ao longo da bacia hidrográfica Lajeado Grande, região do alto Uruguai, noroeste do RS. Material e métodos Para o experimento de decomposição foram coletadas folhas de O. puberula de apenas um indivíduo adulto localizado na área de estudo, na região do alto Uruguai. As folhas foram secas naturalmente, e após, pesadas em balanças analíticas com precisão de 0,001g. Em seguida as folhas secas foram acondicionadas em bolsas de nylon com tamanho de 30 x 30 cm e abertura de malha de 0,5 mm. As bolsas foram identificadas com etiquetas de polietileno e numeradas de um a 340. As bolsas-de-folhiço foram expostas em nove estações de coleta (EC) ao longo da bacia hidrográfica Lajeado Grande, RS (Fig. 1). As ECs foram denominadas LG na calha principal Lajeado Grande e LEN no tributário Lajeado Erval Novo, sendo numeradas da foz em direção às nascentes. Para a fixação no local, as bolsas foram presas à margem dos cursos d'água e deixadas à deriva no sistema. Em cada EC, 30 bolsas-de-folhiço foram expostas em novembro de 2004 e retiradas em número de quatro após um dia, 15, 30, 60, 90, 120, 150 e 180 dias de exposição. As bolsas-de-folhiço recolhidas eram levadas ao laboratório, secas em estufa a 60ºC e pesadas. Ao final do experimento de decomposição se utilizou um modelo matemático exponencial (M t = M o e-kt) para se obter o valor k de decomposição foliar para cada estação amostral [2]. Esse valor foi obtido a partir da massa foliar no tempo 0 (M o), massa foliar no tempo t (M t) e tempo de exposição (t). As características morfométricas das folhas de O. puberula foram tomadas a partir das medidas de largura (L), espessura (E) e comprimento (C) das folhas (n = 7) localizadas entre a 9ª e a 20ª inserção do ramo, contadas a partir do ápice (1 a inserção), utilizando para isto régua milimetrada e paquímetro. Foi medida a dureza foliar, que compreende a massa necessária para perfurar 1 mm 2 na região central da folha, utilizando o equipamento denominado perfurômetro [5]. Foram obtidas também medidas de tensão foliar, determinada a partir das medidas de L e E, e a tração necessária para o rompimento da lâmina foliar (R), utilizando-se um equipamento adaptado denominado dinamômetro [6]. A força de tensão da lâmina (F) é obtida da seguinte maneira: F = R.(L.E)-1 e expresso em Newton.mm-2 [7].
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