Quase a mesma coisa: Experiências de Tradução

Valéria Silveira Brisolara
2015 Revista Conexão Letras  
Em Quase a mesma coisa, Umberto Eco dedica-se a uma questão cada vez mais presente na sua obra: a tradução e seu signifi cado. Eco já havia discutido questões relativas à tradução em Lector in Fabula (1979), Os Limites da Interpretação (1990) e A Busca da Língua Perfeita (1993). Entretanto, nesta obra faz uma retomada de todas as questões relacionadas à tradução que julga relevantes sem, em nenhum momento, deixar de reforçar que enfoca o tema a partir de sua perspectiva de escritor e semiólogo,
more » ... o que faz com que traga um novo olhar a várias questões. A obra é baseada em uma série de palestras dadas por Eco em 1998 na Universidade de Toronto. Talvez por isso o tom usado por Eco seja casual, mas ao mesmo tempo quase confi dencial, pois deixa claro que compartilhar é o objetivo da obra. O leitor sente-se interlocutor de uma conversa com Eco a todo instante. Na introdução, Eco explica que a ideia do projeto surgiu de suas motivações ao pensar em como seus próprios textos eram afetados após passarem pelas mãos de um tradutor. Diferentemente da maioria dos escritores que afi rmam temer as traduções de suas obras, Eco refl ete sobre como seus textos transformam-se no momento em que são traduzidos, mas sem temer as mudanças inerentes do processo tradutório. Pelo contrário, o autor vai mais além e defende essas transformações, pois acredita que as mudanças são necessárias na transposição de um texto de uma língua à outra. Chega a admitir que talvez a tradução tenha melhorado alguns de seus textos devido às particularidades de cada língua. Tal posicionamento é incomum entre escritores e tem suscitado muito debate. A obra é dividida em duas partes. Na primeira parte, Eco apresenta a tradução a partir de sua experiência pessoal tanto como tradutor como quanto escritor que já foi traduzido inúmeras vezes para diversas línguas. Nesta parte, Eco dedica-se a comentar as traduções de algumas de suas obras, como O nome da Rosa e Baudolino, e a explorar seu vasto conhecimento de línguas dando inúmeros exemplos. Na segunda parte da obra, dedica-se aos aspectos mais teóricos da teoria da tradução, discutindo questões relacionadas à tradução e a reescritura, ou seja, aos limites da atividade tradutória e a tradução intersemiótica. A fi m de introduzir a noção de "dizer quase a mesma coisa", que remete a noção de equivalência, que perpassa toda obra e dá nome ao primeiro capítulo, Eco inicia o livro de uma maneira inusitada. Eco usa a ferramenta de tradução do Altavista. Introduz frases 1 Professora dos cursos de graduação e pós-graduação em Letras do Centro Universitário Ritter dos Reis. Tradutora Juramentada.
doi:10.22456/2594-8962.55520 fatcat:lup6cx35kbhdfhnakz3ydvtp34