AS POLÍTICAS EDUCACIONAIS ATUAIS E A (DE)FORMAÇÃO HUMANA

Renata Cristina Lopes Andrade, Tânia Mara Rezende Machado, Suzane da Rocha Vieira Gonçalves, Viviani Fernanda Hojas
2020 Muiraquitã. Revista de letras e humanidade  
Por que desejar a humanização do homem? Por que pretender algo que em princípio soaria como um pleonasmo? Por que humanizar o homem não é uma redundância? Por que a denúncia de uma educação desumanizadora e a defesa de uma educação que contribua para formar o homem humanizado se fazem necessárias? Não é nosso intento responder tais questionamentos, mas sim colocá-los em tela para impulsionar novas e diferentes reflexões. Consideramos que ao homem cabe nascer muitas vezes: uma biologicamente e
more » ... biologicamente e tantas outras culturalmente por meio da educação. Embora desde a mais tenra idade seja possível identificar traços formativos, a educação escolar se constitui em importante ação para a formação humana. Com efeito, nem todas e todos que frequentam ou frequentaram a escola sabem de seu potencial humanizador. A grande maioria das pessoas não tem elementos para identificar que a educação que se faz nessa instituição social pode e deve contribuir para a humanização. Não identifica, por exemplo, que a organização do tempo e do espaço escolar, assim como a escolha e organização dos conteúdos, das metodologias de ensino, dos instrumentos e formas de avaliação, das referências teóricas e os tipos de relações interpessoais estabelecidas são elementos de uma cultura escolar que pode estar a serviço da humanização ou da desumanização. Educar é, portanto, escolher a que projeto de sociedade se quer servir. Há que se fazer escolhas, há que se tomar partido, há que se manifestar intencionalidades! Não se forma homens-bombas da mesma maneira que se forma homens que cultivam éticas e estéticas voltadas à defesa da vida, da paz, do respeito à diversidade, da alteridade e da utopia. A temática proposta neste Dossiê -"Políticas Educacionais e Formação Humana" -, assim como em outros que vêm sendo organizados por todo o país, não foi escolhida de forma aleatória. Tal escolha levou em conta a necessidade de refletirmos, coletivamente e com base em diferentes olhares, sobre a conjuntura atual brasileira e, mais detidamente, sobre questões ligadas ao campo educacional. Durante a campanha eleitoral de 2018, alguns dos embates centrais se desenvolveram em torno da educação e, mesmo após a eleição, é ao redor dela que vem se dando grande parte dos movimentos políticos antagônicos constituintes do social. (LOPES, 2019) . No interior dos embates travados, alguns aspectos chamam atenção como, por exemplo, as críticas dirigidas tanto à obra (cientificidade de seu "método de alfabetização") quanto à pessoa (aparência física) de Paulo Freire 1 , educador brasileiro conhecido internacionalmente por sua perspectiva de formação humana. A educação a que Paulo Freire denominou de libertadora ocorre a partir do momento em que o educador/educando oprimido se conscientiza e reconhece o opressor que hospeda, tor-
doi:10.29327/210932.8.1-1 fatcat:cx4hugggjjgtzl4hv7dpfsd5e4