ERRO, LOGO APRENDO

Alexandra Albuquerque, Maria De Lurdes Guimarães
2019
INTRODUÇÃO Aprender, ou "adquirir conhecimento de" 1 , pressupõe iniciar uma caminhada, um processo gradativo e evolutivo, a partir de um estádio de ignorância ou incompetência total (ou quase) até um outro estádio onde o aprendente/aprendiz detém já um conhecimento profundo do que se propôs aprender. Quando falamos em aprender uma língua seja ela materna (LM) ou estrangeira (LE), referimo-nos à aquisição de um conjunto de regras e normas que constituem o sistema complexo e específico dessa
more » ... específico dessa língua. Ora, é exactamente essa característica sistemática da língua que, pela sua dificuldade, exige um processo de aprendizagem e que leva os aprendentes a cometerem erros (por ignorância das regras). Neste processo de aprendizagem, quer a criança nativa, quer o aprendente de uma LE acabam por utilizar um processo de simplificação do discurso, pois não conhecem ainda todo o sistema da língua. No entanto, a criança, com o tempo, expande o seu "sistema simplificado"para o fazer corresponder ao sistema do adulto da sua comunidade falante. O aprendente da LE, por seu lado, com níveis de adequação variados -conforme a sua inteligência, o tipo de ensino, os materiais de aprendizagem, etc. -, continua a utilizar um "sistema simplificado". Se esta simplificação divergir bastante da língua alvo (LA), a sua competência na LA será, naturalmente, marcada por erros de vária índole. Se, todavia, a simplificação for selectiva e não violar seriamente o sistema da LA, a sua competência na LA pode, tal como a da criança nativa, estar isenta de erros. No entanto, já há muito se esqueceram as teorias que defendiam que os aprendentes de uma língua estrangeira deveriam deter um conhecimento perfeito da língua, isto é, sem erros, nem falhas, até porque segundo Schachter
doi:10.34630/polissema.vi2.3415 fatcat:c6kcasqb7vgnrekspzqgwzujum