Hanseníase: imagem, educação, integração e relacionamento médico-paciente *

Hansen, Int
1979 unpublished
RESUMO-Embora ainda utilizados em campanhas de angariação de donativos, os aspectos graves da hanseníase são menos comuns, graças ao diagnóstico e tratamento precoces. Esta nova imagem da hanseníase deve ser propagada pela educação sanitária, dirigida especialmente para doentes e comunicantes. A integração deve referir-se não só à hanseníase mas também aos "leprólogos", que se viram "segregados" da medicina devido ao pejorativo "lepra". O bom relacionamento com o paciente depende de que seu
more » ... ende de que seu médico seja também um psicólogo permanente, desde o diagnóstico da doença. Unitermos: Hanseníase. Educação sanitária. Psicologia. Integração. Este artigo representa uma composição de quatro trabalhos apresentados ao II Con-gresso Brasileiro de Hansenologia, Rio de Janeiro, 29/6 a 2/7/78. A IMAGEM DA HANSENÍASE A imagem do hanseniano, com face leo-nina, cegueira 'e horríveis mutilações de mãos e pés, não deve ser mais exibida. Já sabemos que o hanseniano atual, preco-cemente tratado, raramente apresentará aquela imagem terrificante, usada para an-gariação de donativos (4), e que já está fi-cando rara, tendendo a desaparecer. O han-seniano mutilado, ao que tudo indica, será imagem de museu. Será a lepra histórica, não a atual hanseníase. Aliás, fato idêntico já ocorreu em relação às sifilides tórpidas e às mutilações do lupus tuberculoso, hoje episódios insólitos de um passado já dis-tante. A terapêutica atual, em que pesem al-guns fracassos, é realmente efetiva, e seus sucessos precisam ser divulgados. Os médi-cos não especialistas precisam ser atuali-zados sobre a hanseníase, principalmente sobre o diagnóstico e a terapêutica precoces. Azulay adotou, já há alguns anos, no Hospital de Clínicas da UERJ e no Hospital de Clínicas Antonio Pedro, da UFF, a procura sistemática de casos dermatológicos em to-das as enfermarias destes nosocômios. Ao tempo em que trabalhávamos no Hospital de Clínicas da UERJ, logo no início destas visitas foram encontrados, em enfermarias de Clínica Médica, quatro pacientes com reações hansênicas, sem diagnóstico firma-do. Nestes doentes havia suspeitas de artrite reumatóide e lupus eritematoso; ninguém pensara em hanseníase, no país em que ela é endêmica. Estes casos, e certamente vá-rios outros, servem para mostrar aos não (*)Apresentado ao II Congresso Brasileiro de Hansenologia. Rio de Janeiro 29/6-2/7/78.
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