Tecnologia e sustentabilidade ambiental: desafios e possibilidades para os países periféricos

Maurício Serra, Gustavo Inácio de Moraes
2007 Revista Economia & Tecnologia  
A questão ambiental começou a ser efetivamente debatida nos anos 70 com a publicação do livro "Os Limites do Crescimento" (Meadows & Meadows, 1972) , que continha uma crítica contundente ao modelo de crescimento econômico vigente na medida em que a busca incessante por crescimento geraria inevitavelmente sérios problemas sociais e ambientais. Esse debate acerca das relações entre crescimento e meio ambiente contribuiu para a formulação do conceito de desenvolvimento sustentável, em cuja noção
more » ... el, em cuja noção está embutido o reconhecimento de dois importantes aspectos: o de que o progresso tecnológico flexibiliza os limites ambientais, embora não os elimine, e o de que o crescimento econômico é uma condição importante e necessária, mas não suficiente para a completa eliminação da pobreza e das desigualdades sociais. O ponto capital, no entanto, reside na capacidade do progresso científico e tecnológico superar indefinidamente os obstáculos impostos pela disponibilidade de recursos naturais, de modo a propiciar uma contínua expansão econômica dos países. Esta questão se torna ainda mais complexa em termos de viabilização da sustentabilidade quando se leva em consideração a existência de um padrão norte-sul de consumo e de um gap tecnológico entre os países centrais e periféricos. Neste sentido, o objetivo deste artigo é discutir o papel da tecnologia na viabilização da sustentabilidade ambiental. Para tanto, o presente texto está estruturado em quatro seções: a primeira apresenta a discussão do comportamento da degradação ambiental em função do desenvolvimento econômico. Na segunda seção são comparados os níveis de consumo nos países centrais e periféricos e os seus impactos sobre o desenvolvimento sustentável. Já a terceira seção tem como discussão central a forma pela qual a tecnologia poderá auxiliar na busca por uma sustentabilidade ambiental. Por fim, na quarta e última seção alguns comentários são tecidos.
doi:10.5380/ret.v3i2.29414 fatcat:so5nxlt2rbashedhz2olsetbqu