Livro de Resumos do 36ºENMGF de Março 2019

APMGF APMGF
2019 Revista Portuguesa de Clínica Geral  
Geral e Familiar 13 a 16 Março 2019 Braga, Portugal portuguese journal of family medicine and general practice sumário COMISSAO CIENTIFICA E ORGANIZADORA S1 COMUNICACOES ORAIS S2 COMUNICACOES EM POSTER S49 2019 • Volume 35 • Suplemento portuguese journal of family medicine and general practice Proibida a reprodução -mesmo parcial -de artigos e ilustrações, sem prévia autorização da RPMGF, excetuando a citação ou transcrição de pequenos excertos, desde que se faça menção da fonte. Introdução:
more » ... a preservar a saúde, a medicina preventiva ganhou uma dimensão descontrolada e demasiado ambiciosa. Nos procedimentos preventivos, por vezes, são detetadas alterações que podem não ser confirmadas ou podem traduzir uma intervenção diagnóstica e/ou terapêutica excessiva sem benefício a longo prazo. No rastreio do cancro do colo do útero (RCCU), estas situações podem ter um impacto psicológico nas utentes, condicionando quadros de ansiedade e introduzindo doença na pesquisa de outras doenças. Na literatura internacional existem vários estudos dirigidos a determinar e analisar o impacto psicossocial deste rastreio na mulher, mas nenhum reflete as peculiaridades da realidade portuguesa atual. O objetivo do presente estudo consiste em avaliar o impacto psicológico do RCCU numa amostra de utentes referenciadas pelos cuidados de saúde primários (CSP) à consulta de colposcopia por alterações na citologia e que tiveram alta por não se confirmar alteração que justificasse follow-up especializado. Métodos: Realizou-se um estudo qualitativo baseado em entrevistas semi-estruturadas a mulheres com resultados alterados (ASC -US e LSIL) em testes de rastreio nos CSP. As entrevistas foram realizadas por telefone e gravadas com consentimento prévio, transcritas verbatim e analisadas tematicamente. Resultados: Todas as mulheres realizaram o RCCU por indicação médica, referindo tratar-se de uma rotina. Todas referiram ter conhecimento prévio sobre o exame, no entanto a maioria relata ideias erradas associadas ao mesmo, verificando-se que o médico de família (MF) muitas vezes não faz qualquer esclarecimento. O resultado é transmitido maioritariamente em consulta presencial. A maioria refere ficar preocupada, ansiosa e apreensiva até à consulta de colposcopia, enquanto outras continuam tranquilas. Em qualquer uma das fases do processo, as mulheres procuraram informação via online ou através de amigos. A análise do impacto geral do rastreio foi baixo não revelando alterações na opinião das mulheres entrevistadas relativamente à pertinência deste rastreio. Conclusões: Os resultados apontam para a necessidade de incentivar uma partilha cuidadosa e exaustiva de informação com as utentes, processo fundamental para que haja uma tomada de decisão realmente partilhada. Nesse sentido, seria importante a criação de folhetos explicativos ou páginas oficiais no site da DGS, bem como uma formação contínua dos MF para promover uma comunicação mais fidedigna, uniforme e realista.
doi:10.32385/rpmgf.v35i0.12591 fatcat:jakbkpq4njhyhl746i63kfvrwa