Propostas de cuidados ao indivíduo com pé diabético em tempo de pandemia do COVID-19 no Brasil

Monique Magnavita Borba da Fonseca Cerqueira, Magno Conceição das Merces, Jeane Magnavita da Fonseca Cerqueira, Dandara Almeida Reis da Silva, Onsli dos Santos Almeida, Antonio Marcos Tosoli Gomes
2020 Acta Paulista de Enfermagem  
Editorial Propostas de cuidados ao indivíduo com pé diabético em tempo de pandemia do COVID-19 no Brasil A pandemia da Covid-19, desde o seu surgimento, tem gerado grande impacto no sistema de saúde dos países, impondo a descontinuidade no enfrentamento de diversos outros agravos, como as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), por exemplo. Dentre as DCNT, o diabetes melitus (DM) concentra uma série de preocupações por parte das autoridades sanitárias, uma vez que os estudos observacionais
more » ... dos observacionais demonstraram uma elevada prevalência de indivíduos portadores da doença entre os hospitalizados pelo novo coronavírus, sobretudo entre os casos fatais. (1) Até o presente momento, não foi identi cada a existência de uma maior suscetibilidade dos indivíduos que vivem com DM para o desenvolvimento da infecção pela Covid-19. Entretanto, a literatura evidencia que estes tem uma progressão rápida da doença e desenvolvem formas graves, incluindo a Síndrome Respiratória Aguda Grave -Severe Acute Respiratory Syndrome (SARS), além de apresentarem maiores taxas de letalidade. (2) Existe uma série de teorias que buscam explicar essa aparente associação entre o diabetes e a severidade da infecção pela Covid-19. A imunidade inata, que consiste na primeira linha de defesa contra o vírus, estaria comprometida entre indivíduos que apresentam níveis glicêmicos elevados, permitindo a proliferação desenfreada do patógeno no hospedeiro. Além disso, o diabetes é caracterizado por uma resposta pró in amatória exacerbada, com elevados níveis de citocinas circulantes, principalmente as interleucinas (IL) IL-1, IL-6 e o fator de necrose tumoral (TNF)-alfa. (3) Esse ambiente se torna determinante, particularmente na segunda e terceira fases da doença, caracterizadas pela lesão pulmonar e estado de hiperin amação, evoluindo para as formas graves da Entre aqueles que vivem com diabetes e apresentam lesões nos pés, a supra regulação in amatória está ainda mais manifestada, uma vez que a neuropatia diabética e a doença arterial periférica, alterações crônicas que dão origem ao pé diabético, proporcionam uma resposta in amatória adicional, que é mais exuberante ainda na vigência de uma úlcera de pé diabético (UPD) em atividade. (5) Ademais, na vigência de infecção, uma das complicações mais recorrentes das UPD, há piora da hiperglicemia, alterando a resposta imune do indivíduo e gerando provável prejuízo no combate do vírus. Adicionalmente, essas pessoas cam mais expostas à contaminação pelo Covid-19 pela necessidade de procurar os serviços de emergência para o tratamento da UPD. E aí se estabelece Profa. Esp. Monique Magnavita Borba da Fonseca Cerqueira Universidade do Estado da Bahia, Salvador, BA, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-9836-7788 Prof. Dr. Magno Conceição das Merces
doi:10.37689/acta-ape/2020edt0005 fatcat:bpwzjpoygnbxhm6k55b5p6fdoi