BELAS ARTES MEU AMOR, CINE ESPETÁCULO EM SÃO PAULO

Ethel Pereira
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Resumo Considerado um importante espaço de fruição da arte cinematográfica, que marcou a história de vida de muitos paulistanos, contribuiu para a formação de plateias e influenciou a formação de um importante polo cultural da cidade de São Paulo, o Cine Belas Artes foi reaberto em 2014 após articulações do "Movimento pelo Cine Belas Artes" junto ao poder público, imprensa e formadores de opinião. O reconhecimento do Belas Artes como patrimônio cultural imaterial, colabora para o posicionamento
more » ... ra o posicionamento de São Paulo como uma cidade criativa, tendo a cultura como eixo estratégico para fortalecer este posicionamento e competir internacionalmente com outras cidades globais. Palavras -chave: economia criativa; patrimônio imaterial; comunicação; Cine Belas Artes. CPMark -Caderno Profissional de Marketing -UNIMEP 53 CPMARK Caderno Profissional de Marketing -UNIMEP Introdução Este artigo é parte de uma pesquisa em andamento pelo CIP -Centro Interdisciplinar de Pesquisa e foi incentivado a partir das discussões desenvolvidas no Grupo de Pesquisa da Comunicação e Sociedade do Espetáculo, vinculado ao Programa de Pós-Graduação da Faculdade Cásper Líbero. Ao tentar compreender os mecanismos que conectam a comunicação e a economia criativa, especialmente na cidade de São Paulo, foi elaborada na época das campanhas eleitorais de 2012, uma breve análise sobre as propostas dos principais partidos para a área da cultura, presentes nos planos de governo dos candidatos à Prefeitura de São Paulo. Desde então, foi possível perceber que estudos relacionados com a temática tornam-se cada vez mais relevantes e merecem aprofundamento em suas discussões. Por outro lado, o processo de fechamento e reabertura do Cine Belas Artes, entre os anos de 2011 e 2014, chama a atenção para diversas questões relacionadas com o papel da cultura, do patrimônio imaterial, os interesses imobiliários, a memória afetiva, entre outros que contribuem para essa transformação da cidade de São Paulo em uma cidade criativa. Entre as diversas possibilidades de análises, optou-se neste artigo, estudar a forma como os jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo cobriram o episódio. Como metodologia, além do levantamento bibliográfico sobre o tema e análise do Relatório Final da CPI: Belas Artes, foi realizada uma análise de conteúdo das matérias veiculadas nos cadernos Cotidiano e Cidades/Metrópole dos jornais analisados. A economia criativa, o patrimônio cultural e a cidade de São Paulo Dezessete de março de 2011 foi o dia da última sessão no Cine Belas Artes,com ato de protesto e presença de personalidades como o senador Eduardo Suplicy, o arquiteto Nabil Bonduki, o então secretário municipal de Cultura Carlos Augusto Calil e o cineasta Silvio Tendler. O espaço, considerado um dos principais cinemas de arte de São Paulo, localizado na esquina da Av. Paulista com a Rua da Consolação, encerrava sua programação e fechava as portas por questões financeiras. Para renovação do contrato de locação do imóvel foi estabelecido um valor inviável para a operação do cinema, tendo em vista que o proprietário do imóvel, Flávio Maluf, havia recebido uma proposta financeiramente mais atraente. As diversas tentativas de negociação, por parte do proprietário do Cine Belas Artes, André Sturm, não tiveram sucesso. O Belas Artes construiu desde a sua abertura em 1943 (na ocasião com o nome de Cine Ritz), uma história repleta de altos e baixos, passando por períodos de dificuldades provocadas por incêndios e dificuldades financeiras, mas também passando por momentos de firme posicionamento em prol do cinema de rua e do cinema de arte, com projeção de filmes considerados de melhor qualidade e que não estavam submetidos à lógica mercantil dos cinemas de shopping centers. Sua história e suas ações foram, ao longo do tempo, construindo uma percepção entre os paulistanos de que o Cine Belas Artes é um espaço de difusão da arte cinematográfica e formador de público, presente na memória afetiva de seus frequentadores e da história da cidade de São Paulo. Na mesma época, no Brasil e em São Paulo, começava a ganhar força o conceito de economia criativa, criado na década de 90 na Austrália e rapidamente assimilado por países europeus, com destaque para a Inglaterra que assumiu na época o protagonismo de sua disseminação por meio da criação e da divulgação de políticas públicas de incentivo aos considerados setores criativos da economia (KIRSCHBAUM et al., 2009) e os Estados Unidos que compreendem as vantagens que a valorização ao desenvolvimento destes setores podem trazer CPMark -Caderno Profissional de Marketing -UNIMEP
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