ARTEFACTUM-REVISTA DE ESTUDOS EM LINGUAGEM E TECNOLOGIA ANO III-N° 2-JUNHO 2010 ORIGINALIDADE NA REDE: UTOPIA ANTE UM HIPERTEXTO GLOBALIZADO

Neide Domingues Da Silva
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Às vezes tenho ideias, felizes, / Ideias subitamente felizes, em ideias / E nas palavras em que naturalmente se despejam.../ Depois de escrever, leio.../ Porque escrevi isto? / Onde fui buscar isto? / De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu.../ Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta / Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?... Fernando Pessoa, Obras completas: Poesias, p.65 Percebe-se, na obra de Fernando Pessoa (1888-1935), uma constante reflexão acerca do
more » ... xão acerca do imaginário humano. De onde vêm as ideias, para onde elas vão, por meio de que instrumentos, são indagações frequentes nos poemas deste escritor. Durante muito tempo, a imaginação criadora foi associada apenas ao pensamento poético. Para Bachelard apud Paiva (2005), imagens autônomas são indispensáveis também para o desenvolvimento do ideário científico: Para que algo de original aflore, é imprescindível que a imaginação criadora se infiltre e conquiste seu lugar no pensamento científico. Às muitas críticas tecidas à ideia de que os recursos metodológicos por si só conduzem às novas descobertas, subjaz o reconhecimento de que, por maior que seja o esforço de minimizar o papel da imaginação, ela se torna crucial para que, da mera observação, do método pré-estipulado, seja possível alcançar o âmbito da novidade, de modo que a ciência se revigore incessantemente. (PAIVA. 2005, p.17) A autonomia do pensamento mostra-se cada vez mais diluída numa configuração linguística coletivizada por meios de comunicação tecnológicos que estimulam, sobretudo, a perpetuação de um ideário disseminado em tempo real pela mídia virtual. As concepções acerca do real remetem a Platão. O binômio platônico real-ideal foi, de certo modo, substituído pela dicotomia real
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