Psicoterapia psicanalítica da fobia: o uso de imagens em um estudo de caso [thesis]

Laura Carmilo Granado
Dedico esta tese àquela que respeitou e nutriu meu espírito curioso, minha mãe, Eneida, e àquele que me deu o seu amor, meu pai, Márcio, in memoriam. AGRADECIMENTOS Agradeço às seguintes pessoas que me acompanharam neste percurso: Especialmente à minha orientadora professora, Dra. Leila Salomão de La Plata Cury Tardivo, por todo o seu apoio profissional, acadêmico e pessoal durante o desenvolvimento do trabalho. Muito obrigada pelo vínculo que estabelecemos ao longo destes anos. À professora
more » ... os. À professora Dra. Mônica Guimarães Teixeira do Amaral, pelo grande incentivo e por todas as valiosas contribuições ao trabalho. À professora Dra. Ana Maria Loffredo, pela rigorosa análise do trabalho e pelas sugestões. À professora Dra. Leda Herrmann, pela profundidade de suas ideias. À Professora Dra. Liana Lins Melo, pela inestimável participação no início de meus estudos científicos. À professora Ismênia Camargo por incentivar as investigações sobre o tema desenvolvido neste trabalho. À minha mãe, Eneida, por sempre ter alimentado meu espírito curioso e ao meu pai, Márcio, por seu amor. Ambos acreditaram nos caminhos que escolhi ao longo da vida. A todos os demais familiares, pela companhia e pela compreensão das ausências. À equipe do Laboratório de Saúde Mental e Psicologia Clínica Social do IPUSP APOIAR, especialmente aos amigos Ana Angélica, Claudia, Márcia, Marcelo e todos os demais, pela amizade e pelas muitas trocas. À Valdeli Vieira, por contribuir para a constituição de minha escuta clínica. Ao amigo Wellington, pela nossa grande amizade e por seu constante apoio nos momentos difíceis. Aos amigos Christiane, Paulo, Beatriz e Viviane e a todos os outros, por me mostrarem que a companhia e a amizade tornam as tarefas mais alegres. Aos funcionários da biblioteca do IPUSP Wanderley, Roseni, Renato, Flávio, Elaine, Marta, Marcos, Angélica e Maria Imaculada, que contribuíram com competência para este trabalho, e às funcionárias da pós-graduação Claudia e Cícera, pela atenção ao longo destes anos. À Eloísa, pela participação neste trabalho, contribuindo para o conhecimento científico. À Lucia, por me ajudar a ressignificar os momentos difíceis e a própria vida. À CAPES, pelo financiamento desta pesquisa. No início não havia a palavra. No início havia a aventura. Hügler (1965) Quero, mas não te quero ver. Quero, mas quero te ver sem me ver. Posso, mas não te posso olhar. Posso, mas não sei se devo olhar. Se me dizes pra olhar, não olho, mas se me pegas no colo... se me pegas no colo... se me pegas no colo parece que me vejo no teu olhar, me vejo sem nem notar, me vejo sem nem mesmo olhar. Laura Carmilo Granado RESUMO GRANADO, L. C. Psicoterapia psicanalítica da fobia: o uso de imagens em um estudo de caso. 2011. 122f. Tese (Doutorado) -Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. Este trabalho tem o objetivo de descrever o atendimento de uma paciente utilizando imagens relacionadas à sua fobia no contexto clínico. É uma proposta de um enquadre diferenciado em psicoterapia psicanalítica com o fundamento na teoria de objetos e fenômenos transicionais de Winnicott, a qual se refere a uma área para a qual contribuem tanto realidade interna, subjetiva, quanto externa, objetiva, constituindo a área do brincar. A teoria freudiana sobre a angústia é revisada desde o início, em que a fobia era considerada um sintoma o qual podia aparecer em diversas afecções psíquicas. A denominação "histeria de angústia" foi proposta por Freud em 1909, para descrever a entidade nosológica em que a fobia é a questão central e cujo mecanismo é semelhante ao da histeria. Este trabalho foi desenvolvido a partir do método clínico com a apresentação do estudo aprofundado de um caso. A paciente, de 37 anos, buscou atendimento para aracnofobia. No psicodiagnóstico, foi aplicado o Procedimento de Desenhos-Estórias de Walter Trinca. Para a psicoterapia, realizada em 19 atendimentos, foram compostas, junto com a paciente, duas pastas, uma com fotos que lembram aranha e outra com fotos de aranhas e de teias. O caso foi compreendido como histeria de angústia, tendo ocorrido um rápido e intenso processo psicoterapêutico. Discute-se que o imagético instaurou uma linguagem onírica nas sessões, e o onírico, assim como o brincar, é campo de simbolização. As associações a partir das imagens foram eminentemente em torno da temática da aranha, sendo tais associações comparadas ao papel que as fantasias presentes no trabalho do sonho realizado pela consciência vígil têm com relação ao conteúdo latente do sonho. Discute-se que a transicionalidade propiciada pelo imagético permitiu um trabalho de figurabilidade e, ao mesmo tempo, teria permitido a constituição de um "pensar por imagens", sendo as imagens associadas a palavras ao longo do processo. A paciente conseguiu uma transformação interna, uma recriação de si em que a pulsão sexual de morte (na concepção de Laplanche) foi transformada, a partir da função objetalizante (Green), em pulsão sexual de vida, com seus processos de integração, síntese e permitindo a constituição de unidades e vínculos. Pode-se considerar que houve cura, no sentido proposto por Herrmann. Conclui-se que o presente estudo de caso evidenciou a potencialidade do uso de imagens em favorecer a simbolização e as elaborações na psicoterapia psicanalítica da fobia. Novas investigações nessa área poderão responder quanto à questão das possibilidades de generalização desta experiência. Palavras-chave: Fobias. Angústia. Enquadres diferenciados. Psicoterapia psicanalítica. ABSTRACT GRANADO, L. C. Psychoanalytic psychotherapy of phobias: the use of images in a case study. 2011. 122f. Thesis (Doctorate) -Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. This paper aims to describe the attendance of a patient by using images related to her phobia in the clinical context. It is a proposal for a differentiated framing in psychoanalytic psychotherapy based on the theory of objects and transitional phenomena by Winnicott, which refers to an area where realities, both internal -subjective and external -objective contribute and constitute the area of play. The Freudian theory about anguish is reviewed from the very beginning when the phobia was considered a symptom which could appear in diverse mental disorders. The term "anguish hysteria" was proposed by Freud in 1909 to describe the nosological entity in which the phobia is the central question and whose mechanism is similar to that of hysteria. This work was developed by using the clinical method and a presentation of a detailed case study. A 37-year-old female patient sought treatment for arachnophobia. In her psychodiagnosis, the Drawing-and-Story Procedure by Walter Trinca was applied. Her psychotherapy was conducted in 19 attendances, for which two folders were arranged with the help of the patient, one with photographs that reminded of spiders and another with pictures of real spiders and webs. The case was understood as anguish hysteria and treated in a rapid and intense psychotherapeutic process. It is discussed that the imagery established an oniric language in the sessions and the oniric context is a field of symbolization, just like the area of play. The associations made with the use of images were predominantly around the spider theme; such associations were compared to the role played by fantasies in the dreaming activity, which is carried out by the waking consciousness, in relation to the latent content of dreams. It is discussed that the transitionality provided by the imagery allowed an activity of figurability and at the same time it would have allowed a process of "thinkingby images", having images associated with words all along the way. The patient achieved her inner transformation, a re-creation of herself in which her sexual pulsion of death (in Laplanche's conception) was transformed from an objectalizing function (Green) into a sexual pulsion of life, with its processes of integration and synthesis, enabling the constitution of units and links. It can be considered that healing did take place, as proposed by Herrmann. It is concluded that the presentcase study demonstrated the potentiality of using images to favor symbolizations and elaborations within the psychoanalytic psychotherapy of phobias. Further investigations in this area may respond to the question of possibilities towards generalizing the experience reported herein. Keywords: Phobias. Anguish. Differentiated framings. Psychoanalytic psychotherapy. RÉSUMÉ GRANADO, L. C. Psychotérapie psychanalytique de phobie: utilisation d'images pour l'étude d'un cas. 2011 -122f . Thèse (Doctorat) -Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2011. Ce travail vise décrire la prise en charge d'un patient en utilisant des images de sa phobie dans le contexte clinique. Il s'agit d'utiliser un cadre différent de la psychothérapie psychanalytique fondée sur la théorie des objets et phénomènes transitionnels de Winnicott, qui se réfère à un domaine où les réalités aussi bien interne, subjective, qu'externe et objective, constituent l'espace de jeu. La théorie de Freud sur l'angoisse est réexaminée depuis que la phobie était considérée comme un symptôme qui pouvait apparaître en plusieurs troubles mentaux. La dénomination «hystérie d'angoisse» fut proposée par Freud en 1909 pour décrire l'entité nosologique dans laquelle la phobie est le problème central et dont le mécanisme est semblable à l'hystérie. Ce travail a été développé à partir de la méthode clinique avec la présentation d'une étude approfondie d'un cas. Une patiente de 37 ans a recherché un traitement pour l'arachnophobie. À l'occasion de son psychodiagnostic, la procédure Dessin et Histoire de Walter Trinca lui a été appliquée. Pendant sa psychothérapie, qui dura 19 sessions, deux dossiers ont été composés avec l'aide du patient, l'un avec des photos qui rappelent l'araignée et une autre avec des photos d'araignées et de toiles d'araignées. Le cas a été interprété comme l'hystérie d'angoisse, après un processus rapide et intense psychothérapeutique. Il est soutenu que l'imagerie a établi un langage onirique pendant les sessions et le contexte onirique, tout comme jouer est le champ de symbolisation. Les associations faites à partir des images on été élaborées éminemment autour du thème de l'araignée. Ces associations ont été comparées au rôle que jouent les fantasmes pendant le travail du rêve réalisé par la conscience de veille par rapport au contenu latent du rêve. Il est soutenu que la transitionalité causée par les images a permis un travail de figurabilité, et en même temps, a permis la création d'une «pensée par images», celles-ci étant associées aux paroles tout au long du processus. La patiente a atteint une transformation intérieure, une recréation d'elle-même dans laquelle la pulsion sexuelle de la mort (selon la conception de J. Laplanche) a été transformée, à partir de la fonction objetalisante (Green), en une pulsion sexuelle de la vie, avec ses processus d'intégration, de synthèse, permettant ainsi la création des unités et des liens. On peut considérer qu'il y eut une guérison comme proposé selon Hermann. Nous concluons que l'étude de ce cas a renforcé le potentiel d'utilisation d'images en soutenant les élaborations et la symbolisation dans la psychothérapie psychanalytique de la phobie. De nouvelles recherches dans ce domaine pourront répondre à la question sur les possibilités de généraliser cette expérience.
doi:10.11606/t.47.2011.tde-22072011-161704 fatcat:5ctvrgduvfgcpbx4myi2bqa6dy