Entrevista

Gládis Elise Pereira Da Silva Kaercher
2018 Revista Diversidade & Educação  
A partir de tuas pesquisas e estudos quais entendimentos tu vens construindo sobre relações étnico-raciais, gênero e suas intersecções? R.: Eu penso que as maiores conexões que as pesquisas mais recentes vêm me permitindo fazer entre as questões raciais e as questões de gênero é poder questionar o quanto os processos de construção das identidades femininas é atravessado pelo processo de construção da identidade racial. Em outras palavras, significa de modo diferente a pertença étnico-racial
more » ... a étnico-racial negra quando a gente está pensando os marcadores de gênero e a construção do feminino. É, sim, ainda, a mulher negra o ponto fora da curva. Eu diria o ponto sobre o qual nós pesquisadores, mais curiosamente, precisamos nos debruçar. Contemporaneamente, eu acho que esse desafio vem sendo preenchido pelas jovens feministas que estão, em alguma medida, lançando luz sobre essa pertença racial, sobre essa identidade tão silenciada, tão posta ao lado das discussões do feminismo. Se nós pensarmos do ponto de vista do Brasil essa é ainda a identidade que precisa ser esquadrinhada. Essa mulher está fora das nossas redes de discussão, ela está fora das redes contemporâneas de proteção e de garantia de direitos, e ela é, ainda, o sujeito que se encontra fora das universidades e da maior parte das pesquisas. Que ações tu tens realizado a fim de superar as representações históricas e sociais da população negra? R.: Eu acho a questão complexa; eu não gosto do verbo superar, pois a superação dá sempre uma ideia de que a gente vai abandonar alguma coisa em prol de algo melhor e eu acho que, do ponto de vista da perspectiva teórica, com a qual eu trabalho, os estudos culturais e os estudos de gênero e um pouco das discussões de filosofia da diferença, não
doi:10.14295/de.v6i1.8335 fatcat:qeisnm77q5httcr7ujamkifxee