Evaluability Assessment: Laying the Foundation for Effective Evaluation of a Community College Retention Program

Lyle McKinney
2010 Community College Journal of Research and Practice  
Logo na apresentação desta obra, a organizadora Drª Renata Tavares, professora adjunta do curso de Filosofia da UNESPAR, salienta a intensidade das obras de Pina Baush, que surgem de indagações e expressões pessoais dos bailarinos e são consideradas grandes ícones da arte contemporânea. Segundo Tavares, Pina não considerava suas obras como coreografias, as produções do Tanztheater não se enquadram como "dança", no sentido tradicional do termo, visto que vão além do próprio corpo e apresentam
more » ... rpo e apresentam múltiplas linguagens em cena: o movimento, o canto, as palavras, os objetos e qualquer forma de expressão que possa comunicar sua proposta. Não obstante, a autora oferece a tradução em português de O que me move, um discurso de Pina, na ocasião do recebimento do prêmio de Kyoto, em 2007. A artista renomada fala, de modo simples, sobre si mesma, contando espontaneamente a história de sua vida. Inicia com as lembranças de seu passado, as quais alega ter som, cores e aromas, tão fortes que tomaram lugar no palco muito tempo depois. Pina era de Solingen, na Alemanha, e viveu em meio a Segunda Guerra. Sua primeira experiência artística foi no Ballet Clássico, e aos quatorze anos foi para Essen estudar dança na Escola Folkwag, onde conheceu Kurt Jooss, o qual se tornou um "segundo pai", segundo ela, apresentando-lhe músicas requintadas, conhecimentos e visões diferenciadas. Além dos professores locais, muitos artistas americanos davam cursos que a instigavam a pensar "O que eu tenho para expressar?", "O que eu tenho a dizer?", "Em que direção preciso me mover mais?", de modo que esses pensamentos se tornaram fundamentais para os trabalhos que seriam desenvolvidos posteriormente. Pina relata, inclusive, que em uma de suas apresentações, ela subiu no palco, se posicionou, mas, o pianista não estava lá. O músico havia se confundido, estava em outro prédio, e até ele ser encontrado e chegar ao local correto, a artista se manteve parada em sua pose, em silêncio. "Eu fui ficando cada vez mais calma e simplesmente fiquei lá", "Eu cresci e cresci", disse ela, deixando o público impressionado com sua convicção. Aos dezoito anos, Pina foi contemplada com uma bolsa do serviço alemão de intercâmbio acadêmico, tendo a oportunidade de se mudar para os EUA e estudar na Juilliard School of Music. Tal mudança para outro continente, sozinha, com tão pouca idade, a falta de dinheiro, o não entendimento da língua inglesa, a possibilidade de assistir peças de teatro e óperas, além de aulas diferenciadas com Antony Tudor, Margarete Craske, Alfredo Corvino, José Limón, Paul Taylor, entre outros, provocaram na bailarina uma intensa transformação. Segundo Pina, nada foi planejado e esperado, ela não sabia do que era capaz. Sem premeditar, tanto na vida como em sua dança, simplesmente, tudo foi acontecendo, e é por isso que conseguiu realizar coisas diferentes. De volta à Alemanha, Pina assumiu o Wuppertal Ballet. Ela relata que desde criança tinha a necessidade de dançar, a urgência em se expressar, de se colocar em situações complexas tentando responder: "Por que e como eu posso expressar algo?", porém, confessa que nunca pensou em trabalhar num teatro, como coreógrafa, com tamanha responsabilidade. A artista novamente se deparou com o desconhecido, alega que tinha medo e insegurança em dirigir uma companhia. De início, tentou se planejar meticulosamente para não falhar, programar suas aulas e produções, a fim de seguir um plano coerente, todavia, ela sentiu que isso não era o que pretendia, não era o que deveria fazer. E, então, ela decidiu deixar de planejar, a fim de se envolver em experiências sem saber onde iria chegar. O público, a orquestra e os próprios bailarinos, acostumados com produções de Ballet Clássico, apresentaram resistência a suas novas proposições, motivadas por "questões" e pela linguagem diferenciada que tentava construir. Afinal, como Pina sempre pontuou, ela não estava interessada em "como" as pessoas se movem, ou seja, em sua técnica, sua base artística, a dramaturgia, mas, "no que" as move. Percebe-se que o cerne das obras do Tanztheatrer, dentro de uma determinada temática, tratava-se de responder "o que te move?", e para isso era possível se utilizar de inúmeras formas de linguagem. Com o tempo, a confiança se estabeleceu e os bailarinos a acompanharam nessa longa jornada, nessa aventura de conhecer o desconhecido. E o reconhecimento internacional levou a companhia a atuar em diversos países, como Roma, Argentina, Hong Kong, Budapeste, Palermo, Istambul e Brasil. CANDIDO, T. C. T. O que me move, de Pina Baush e outros textos sobre dança-teatro Educar em Revista, Curitiba, Brasil, v. 34, n. 67, p. 299-303, jan./fev. 2018
doi:10.1080/10668920903527019 fatcat:fyasmjzhrnczvood4vclo3ugye