PANCREATITE AGUDA: ATUALIZAÇÃO DE CONCEITOS E CONDUTAS

José Sebastião Santos, Jorge Elias Júnior, Sandro Scarpelini, Ajith K. Sankarankutty
2003 Medicina (Ribeirao Preto Online)  
conceitos e condutas. Medicina, Ribeirão Preto, 36: 266-282, abr./dez. 2003. RESUMO -A abordagem diagnóstica e terapêutica da pancreatite aguda (PA) modificou-se significativamente, nos últimos 20 anos. A revisão da literatura reforça a importância de estratificar a PA em formas branda e grave, com o objetivo de definir o local e os recursos para o tratamento. Há evidências recentes, que ajudaram a definir o papel da tomografia computadorizada (TC), da colangiopancreatografia endoscópica
more » ... endoscópica (CPRE), da ressonância magnética (RM), da antibioticoterapia profilática, do suporte nutricional enteral e da punção com agulha fina, para exame bacteriológico de material necrótico e de fluido pancreático. Houve mudança significativa na abordagem cirúrgica da PA; as operações, que eram extensas e freqüentes na fase precoce, deram lugar a uma conduta mais conservadora, exceto quando o diagnóstico de necrose pancreática infectada é confirmado. Os protocolos de consenso recomendam a detecção precoce das complicações por meio da avaliação clínica e de imagem. O emprego apropriado das alternativas terapêuticas, clínicas e cirúrgicas, com base na evidência, pode garantir a redução da morbidade e da mortalidade na PA. UNITERMOS -Pancreatite Aguda. Pancreatite. Monitoramento. Pancreatite Aguda Necrosante. Nutrição; cirurgia; tratamento. 266 INTRODUÇÃO A pancreatite aguda (PA) é, na maioria dos casos, uma doença inflamatória, autolimitada e que se resolve com medidas clínicas. Todavia, a presença de necrose pancreática e peripancreática, associada à infecção, é potencialmente grave e pode demandar cuidados e abordagens especializadas. A incidência de PA, baseada em registros hospitalares, varia de 5,4 a 79,8 casos por 100.000 habitantes, respectivamente, na Inglaterra e nos Estados Unidos da América (1) . A avaliação da incidência da PA é prejudicada pela falta de confirmação histológica na maioria dos casos e, possivelmente, reflete a organização dos serviços de saúde. É provável que muitos pacientes com PA na forma branda não procurem os serviços de saúde ou, quando o fazem, os casos não são diagnosticados ou notificados (2) . A mortalidade global, na PA, varia de 10 a 15% (3) . Dentre os óbitos, cerca de 50% ocorrem na fase precoce, isto é, nos primeiros 14 dias da admissão, e decorrem, principalmente, da síndrome da resposta inflamatória sistêmica, secundária à necrose pancreática, enquanto os óbitos remanescentes ocorrem na fase tardia, em função de complicações infecciosas, também da necrose pancreática (4) . Medicina, Ribeirão Preto, Simpósio: URGÊNCIAS E EMERGÊNCIAS DIGESTIVAS 36: 266-282, abr./dez. 2003 Capítulo III
doi:10.11606/issn.2176-7262.v36i2/4p266-282 fatcat:zp3o3admlrg4va6pz7putsed7y