Queijo Macururé fabricado em Jacaré dos Homens, AL: características físico-químicas, microbiológicas e de produção

Lara Fabian Cordeiro Silva, Shaiane Maria Abreu Pastor da Silva, Filipe De Oliveira Melo, Patrícia Érica Fernandes, Luana Cypriano de Souza
2020 Revista do Instituto de Latícinios Cândido Tostes  
O queijo Macururé é produzido há cerca de 100 anos por uma única família, no povoado Caititu, localizado na cidade de Jacaré dos Homens, AL. É fabricado a partir de leite cru, por fermentação natural por meio de bactérias autóctones. Possui formato cilíndrico, textura macia, massa fechada, contendo gordura líquida no seu interior, sabor levemente ácido, lembrando manteiga de garrafa, coloração marrom, casca rígida e sem trincas, e massa cozida. Muito apreciado por seu sabor único e pela riqueza
more » ... nico e pela riqueza cultural e gastronômica, tal produto possui tecnologia de fabricação empírica e artesanal. Visando impedir a extinção da tecnologia de fabricação deste queijo de origem centenária, este trabalho objetivou descrever, de forma técnica e científica, suas etapas de fabricação e caracterizar os aspectos físico-químicos e microbiológicos desse queijo. Foram analisados teores de gordura no extrato seco (GES), acidez, pH, cinzas, umidade e teor de proteína total. Assim, o queijo Macururé pode ser classificado como semigordo e de média umidade, segundo legislação vigente. Os teores de acidez, extrato seco total e gordura variaram significativamente entre os lotes analisados, indicando falta de padronização na fabricação ou da matéria-prima utilizada. As análises microbiológicas demonstraram ausência de Salmonella sp. e contagem de coliformes termotolerantes e Staphylococcus aureus dentro dos padrões estabelecidos pela legislação. Este estudo contribuiu para o processo de caracterização de um queijo tipicamente alagoano, com atributos que agregam valor por meio do resgate da história e origem cultural e gastronômica, sendo possível, com o regulamento do "Selo Arte", sua comercialização fora da clandestinidade.
doi:10.14295/2238-6416.v75i2.818 fatcat:jaxrs3arbbbqnnxoncm5gjnnnq