Apresentação da Seção Temática: AVALIAÇÃO E RENDIMENTO ESCOLAR: reflexões em perspectiva sócio-histórica Natália Gil (UFRGS) e Ana Laura Godinho Lima (USP) (Organizadoras)

Fronteiras Currículo Sem
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A organização do sistema de ensino baseia-se, em larga medida, em processos avaliativos. Seja pela necessidade de se conhecer o que e quanto os alunos aprendem, seja pela importância dada à aferição da qualidade da educação, indicada em taxas de reprovação e pelos desempenhos expressos em provas nacionais padronizadas, a avaliação é um tema central nas práticas escolares da atualidade. A crença na objetividade dos procedimentos atrelada à crescente demanda de accountability podem,
more » ... conduzir as análises a focalizarem as políticas, os instrumentos e os resultados deixando de lado a apreciação dos processos sócio-históricos que estabeleceram tais práticas criando também as condições de sua legitimação. E, contudo, como têm advertido T. S. Popkewitz e outros autores, as avaliações são práticas culturais que têm as suas próprias histórias e que, além disso, criam narrativas sobre os sistemas de ensino das diferentes nações; sobre os alunos e os seus aprendizados, os professores e as suas práticas. Sendo assim, mesmo a simples quantificação dos desempenhos escolares faz sempre mais do que apenas indicar a qualidade da escola e mensurar o aproveitamento dos alunos (Lima, Gil, 2016). É nesse sentido, pretendendo contribuir na compreensão daquilo que está posto em jogo, que apresentamos este dossiê. Recuamos a análise ao final do século XIX, propondo acompanhar, até por volta da metade do século XX, discursos, práticas e políticas que participam de lutas simbólicas (buscando determinar, sem nunca conseguir completamente tal intento) cujos resultados são as disposições, visões, instituições, rituais, regras etc. nas quais estamos envolvidos no cotidiano. Assumimos aqui, concordando com Bourdieu (2016, p.78), que os "princípios de divisão e de visão do mundo, associados às diferentes disciplinas [escolares], são por sua vez associados à história-em grande parte contingente-da instituição do ensino". E, seguindo Foucault, entendemos que "do mesmo modo como o processo de exame hospitalar permitiu a liberação epistemológica da medicina, a era da escola 'examinatória' marcou o início de uma pedagogia que funciona como ciência" (2003, p. 155-156). Assim, parece-nos relevante conhecer aquilo que na história da escola foi configurando o sentimento e a percepção do que é necessário fazer em educação, com ênfase aqui ao que se refere à avaliação escolar e ao rendimento do ensino. O artigo "História das práticas de avaliação no Brasil: provas, exames e testes ou a longa provação dos alunos rumo à distinção ou ao 'triunfo escolar' (1890-1960)", de Denice Barbara Catani, sublinha que os estudos sobre a temática não têm sido abundantes e NATÁLIA GIL e ANA LAURA G. LIMA
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