Atividade física, satisfação com a imagem corporal e comportamentos alimentares em adolescentes

José Vasconcelos-Raposo, Carla M. Teixeira, Ana Filipa Pinto, Carla A. Pereira, Marcos G. Fernandes, Mário Pinto
2014 Portugese Journal of Sport Sciences / Revista Portuguesa de Ciências do Desporto  
Destarte o feitiço vira-se contra o feiticeiro: a função do docente universitário já não é o que era, afasta-se a passos largos do imaginário que a edificou e habitava. Ele é um cumpridor lesto e submisso de determinações e ordens de cariz policial, um tarefeiro obediente que as executa à risca, não se atrevendo a inquirir a respetiva justificação, nem tampouco os objetivos de todo este deprimente enredo. O grau desta decadência foi proclamado por Hegel (1770-1831): "Naquilo com que um espírito
more » ... se satisfaz, mede-se a grandeza de sua perda." Atividade física, satisfação com a imagem corporal e comportamentos alimentares em adolescentes PALAVRAS CHAVE: Atividade física. Comportamentos alimentares. Satisfação com a imagem corporal. Adolescentes. RESUMO O presente estudo teve como objetivo geral verificar se existe uma relação entre a atividade física e a satisfação com a imagem corporal, os comportamentos alimentares e como objetivos específicos, em primeiro lugar, comparar entre sexos, o nível de atividade física, os comportamentos alimentares e a satisfação com a imagem corporal, e em segundo lugar, comparar por local de residência, o nível de atividade física, os comportamentos alimentares e a satisfação com a imagem corporal. A amostra foi constituída por 201 participantes, 84 do sexo masculino e 117 do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 15 e os 22 anos. Os instrumentos utilizados foram um questionário de autopreenchimento que contém duas perguntas que fazem referência à prática de exercício físico, elaboradas a partir das recomendações mínimas da Atividade Física para a população adulta segundo a ACSM/AHA, o Questionário Holandês de Comportamentos Alimentares e o Questionário de Satisfação com a Imagem Corporal. Os resultados evidenciam relações estatisticamente significativas entre a atividade física e a satisfação com a imagem corporal, e na comparação entre sexos, ao nível dos comportamentos alimentares e da satisfação com a imagem corporal. Na comparação, por local de residência, foram observadas relações estatisticamente significativas ao nível da satisfação com a imagem corporal. A partir do presente estudo pode-se concluir que a atividade física influência a satisfação com a imagem corporal e os comportamentos alimentares. ABSTRACT The general purpose of this study was to verify if there is a relationship between physical activity and satisfaction with body image, eating behaviors; as specific objectives, this study aimed firstly to compare among gender, the level of physical activity, dietary behaviors and satisfaction with body image, and secondly, to compare by place of residence, the level of physical activity, dietary behaviors and satisfaction with body image. The sample consisted of 201 participants, 84 males and 117 females, aged between 15 and 22 years. The instruments used were a selfadministered questionnaire containing two questions that refer to physical exercise, elaborated from the minimum recommendations of physical activity for the adult population according to the ACSM / AHA, the Dutch Questionnaire Food Behaviors and the Questionnaire of Satisfaction with Body Image. The results show statistically significant relationships between physical activity and satisfaction with body image, and in the comparison between genders in terms of eating behaviors and satisfaction with body image. In the comparison by place of residence, statistically significant relationships were observed at the level of satisfaction with body image. From this study it can be concluded that physical activity influence the satisfaction with body image and eating behaviors. KEYWORDS: Physical activity. Eating behaviors. Satisfaction with body image. Adolescents. INTRODUÇÃO Ao longo dos últimos séculos inúmeros esforços têm sido despendidos para compreender a percepção da imagem corporal. Têm sido muitas as perspetivas aplicadas no estudo deste conceito, mas aquela com que mais nos identificamos foi inicialmente proposta por Schilder em 1990 e que sugere uma compreensão biopsicossocial do fenómeno. Durante algum período houve a preocupação em estudar a relação entre imagem corporal e comportamentos alimentares. No entanto, continua a ser uma lacuna na literatura da especialidade o estudo desta relação entre praticantes e não praticantes de atividade física (9) . Numa perspetiva higiológica (de promoção da saúde) importa analisar a imagem corporal tal como esta tende a estar associada a estilos de vida saudável (34) , mas no caso do presente estudo desejamos explorar a relação entre imagem corporal, atividade física e estilo alimentar. A imagem corporal pode ser concebida como positiva, negativa e neutra. No caso de a imagem ser positiva constatamos que esta tende a estar associada a níveis elevados de otimismo, autoestima, apoio social, mecanismos de coping adequados, e períodos relativamente prolongados e estáveis no tempo quanto ao peso dos indivíduos (2) . Num estudo realizado por Avalos, Tylka e Wood-Barcelaw (4) constatou-se que indivíduos com uma imagem corporal positiva tendiam a ter uma opinião favorável sobre o seu corpo independentemente da forma, peso ou até imperfeições que esses pudessem apresentar. Estes indivíduos tendem a respeitar o seu corpo aderindo a práticas comportamentais saudáveis e rejeitando padrões preconizados como ideais. Numa outra linha de investigação, Wood-Barcelaw, Tylka e Augustus-Horwath (35) e Tylka (29) sugeriram que há uma relação positiva entre imagem corporal positiva com a espiritualidade das pessoas, positividade na vida e conceitos abrangentes de beleza que fogem ao estereotipado pelas tendências da moda. No entanto, talvez o aspeto mais relevante do estudo de Tylka (29) se prenda com o facto de ser relatado que aproximadamente 80% da sua amostra revelou ter ultrapassado uma visão negativa do seu corpo, mudando-a de negativa para uma positiva e que isto, em parte, foi conseguido através de conhecimentos adquiridos sobre os processos associados à imagem corporal positiva, nomeadamente a adesão a comportamentos saudáveis e a um maior autocontrolo sobre os aspetos associados com a sua alimentação. Se algum grupo social é alvo de campanhas que promovem a ideia de um corpo ideal, sem dúvida que esse é o dos adolescentes. Nogueira, Macedo e Guedes (20) propõem que a imagem corporal corresponde a uma perceção e avaliação multidimensional que o indivíduo tem do próprio corpo. Segundo Bosi, Luiz, Morgado, Costa e Carvalho (5) o culto ao corpo está diretamente associado à imagem de poder, beleza e mobilidade social, sendo crescente a insatisfação das pessoas com a própria aparência. Kakeshita e Almeida (17) referem que
doi:10.5628/rpcd.14.03.15 fatcat:x7cbpvkgrzf4df3jmppsj4ebde