O papel da música, do som e da audição na concepção de sublime de

Edmund Burke, João Paulo
unpublished
The role of music, sound and hearing in Edmund Burke's conception of sublime Palavras-chave: Sublime; Deleite; Burke; Música. O conceito de Sublime possui seu primeiro marco na tradição filosófica ocidental no início da era cristã, presente no tratado Peri Hupsos (Do Sublime), atribuído à Longino (2005). Durante toda a idade média e boa parte da idade moderna, tal conceito se define pela ideia de elevação diante de um obra e por uma ausência de distinção nítida em rela-ção ao conceito de belo
more » ... conceito de belo como horizonte de valor da produção artística. No entanto, em meados do século XVIII, o filosofo inglês Edmund Burke, em Uma Investigação Filosófica Sobre A Origem De Nossas Ideias Do Belo E Do Sublime, opõe o conceito de sublime ao belo ao associá-lo ao sentimento misto de "prazer e dor", chamado de "deleite" (1993, p. 45), e aos sentimentos de "medo" e "horror"quando experimentados em uma obra artís-tica (p. 65). Já o conceito de belo estaria associado apenas ao sentimento puro e positivo de prazer. Tal formulação do sublime, além de lhe conferir um papel mais central como um valor orientador da produção e da crítica artísticas, desloca a poesia para o centro das atenções em relação a pintura no que concerne à incitação das paixões e à capacidade de causar impressões mais significativas e duradoras aos espectadores. O presente trabalho tem por objetivo especificar a função desempenhada pelo som e pela música na composição do conceito de sublime burkeano, uma vez que outros sentidos, além da visão, são inclusos no processo argumentativo do filósofo. Tal processo se dará através do mapeamento e análise de seus argumentos relacionados à experiência sonora e a arte musical no intuito de compreender qual a relação que tais elementos específicos estabelecem com a estrutura geral de sua concepção de sublime. Burke contraria a preferência de Dubos pela pintura no que "concerne a incitação das paixões [...] devido a maior clareza com que aquelarepresenta as ideias" (p. 68). Já a poesia não aprisiona a faculdade da imaginação a uma imagem nítida e clara do objeto descrito, o que a torna mais propensa que a pintura para abordagem de objetos confusos, obscuros e sem forma definida. Assim, o valor a poesia na incitação das paixões é mais decorrente da profusão de imagens superpostas pelos poetas, muitas vezes desordenadas e contraditórias, do que por uma propriedade natural do objeto descrito pelo poema, ampliando o alcance imaginativo e aumentando a importância da obra artística em relação ao mundo natural. Anais do SEFiM, Porto Alegre, V.02-n.2, 2016.
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