Melhor prática em radiologia pediátrica: um manual para todos os serviços de radiologia

Márcia Cristina Bastos Boëchat
2007 Cadernos de Saúde Pública  
tivamente complexas e com densidades demográficas consideráveis nas várzeas). As evidências paleopatológicas de tuberculose na Pré-história são cuidadosamente apresentadas por Roberts & Buikstra, seguidas de detalhada revisão dos principais casos, em sua maioria caracterizados por acometimento da coluna vertebral. A discussão sobre a possível origem zoonótica da tuberculose humana é particularmente interessante, não deixando de considerar o potencial dos camelídeos sul-americanos (lhamas e
more » ... anos (lhamas e alpacas) na disseminação da doença na região andina. As autoras também discutem criticamente as contribuições recentes da biologia molecular, aplicadas principalmente na elucidação de alguns casos sugestivos de tuberculose óssea em remanescentes humanos das Américas. O capítulo 5 é dedicado à história do diagnóstico e tratamento da tuberculose. As autoras iniciam seu relato pelo período clássico greco-romano e, rapidamente, movem para o final do século XIX, dando grande ênfase aos sanatórios e seus esquemas de tratamento centrados na combinação de "ar livre" e alimentação. Nesse ponto, concentram sua revisão na Europa e Estados Unidos, nada dizendo acerca da presença do modelo do sanatório também em outras regiões do mundo, principalmente em ex-colônias européias. Essa seção também mereceria um maior detalhamento acerca do potencial e limites da estrutura dos programas de controle da tuberculose no mundo (calcados em princípios amplamente difundidos pela Organização Mundial da Saúde), assim como dos desafios ao sucesso da quimioterapia. Por fim, o capítulo 6 sumariza os principais marcos da história da tuberculose na humanidade detalhados nos capítulos anteriores e discute sua permanência (e até mesmo expansão) na atualidade. Nas palavras das autoras, "...apesar de, em anos recentes, [a tuberculose] ter experimentado um declínio, é inconteste que a doença permanecerá entre nós por um longo tempo" (p. 272). Roberts & Buikstra oferecem ao leitor um livro denso, cujo maior valor reside na excelência da revisão dos aspectos bioarqueológicos e paleopatológicos da tuberculose. Também merecem menção especial a extensa bibliografia, com aproximadamente oito centenas de referências, o glossário de termos técnicos (certamente útil para o leitor iniciante) e o índice remissivo. Trata-se, portanto, de uma obra importante de ser lida por todos aqueles interessados na história das doenças contagiosas. O valor do livro transcende a seara da bioantropologia e da arqueologia, tornando-se particularmente útil para médicos e epidemiologistas que, certamente, beneficiar-se-ão de uma visão histórica acerca da emergência e permanência da tuberculose nas sociedades humanas.
doi:10.1590/s0102-311x2007000400026 fatcat:7reikgck6jh2xh4rv4gmy45bke